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A
lógica ética do marketing esportivo
Marco
Antônio Eid -07.01.08
A assinatura de vultosos contratos de patrocínio
esportivo entre companhias privadas e times de grande
projeção e torcida, como ocorreu no
ocaso de 2007 entre Palmeiras e Fiat e Corinthians
e Medial, é positiva para o futebol brasileiro
e o marketing das empresas. A mídia, como
é justo, pertinente e natural, costuma prestigiar
com ênfase tais iniciativas. Além de
contribuir para o fortalecimento dos clubes nacionais
e a redução do êxodo precoce
de atletas, essas parcerias são ainda mais
bem-vindas quando incluem projetos de responsabilidade
social.
Esclarecidas essas premissas, seria interessante
que a imprensa também não omitisse
nas matérias jornalísticas os nomes
de patrocinadores de clubes de menor torcida e de
outras modalidades, além do futebol. Há
numerosos esportes e muitos projetos nesse campo
não voltados à competição,
mas simplesmente à função social,
cujos patrocinadores não têm respaldo
da mídia. Nota-se, então, um desestímulo
à iniciativa. Isto é lamentável,
pois essa prática ajuda muito crianças
e jovens de baixa renda e/ou sem vínculo
familiar.
O raciocínio de que a inclusão dos
nomes de patrocinadores seria mais publicitário
do que jornalístico e que poderia reduzir
o aporte de verbas de propaganda não corresponde
à realidade. Não há dúvida
de que seria um fator multiplicador de patrocínios
e de estímulo à inclusão socioeconômica
de maior número de brasileiros, a citação
jornalística mais rotineira das empresas
que apóiam clubes de vôlei, basquete,
futsal, atletas olímpicos e programas de
educação e integração
pelo esporte.
Esta é uma reflexão pertinente a
ser feita pelos dirigentes dos veículos de
comunicação, que prestariam imenso
serviço à Nação e à
sociedade caso mudassem esse paradigma. É
preciso entender, sob aspectos intransigentes à
luz da ética, a lógica do chamado
marketing social: nenhuma organização
deve fazer o bem simplesmente com o intuito precípuo
de aparecer, mas é justo que as empresas
socialmente responsáveis tenham reconhecimento
público, inclusive para que o exemplo seja
disseminado e estimule mais e mais pessoas físicas
e jurídicas a se engajarem numa imensa corrente
pelo desenvolvimento do País.
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