Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.












Olimpíadas: Desempenho Esperado

Encerradas as competições dos Jogos Olímpicos de Pequim, baixada a adrenalina provocada pela emoção das vitórias e frustração das derrotas, é chegada a hora das incontáveis análises veiculadas pelas mídias impressa, falada, televisiva e, cada vez mais, da Internet.

E, antes mesmo de conhecer o teor da maior parte delas – até porque estamos no dia seguinte ao do encerramento das competições – ouso afirmar que o desempenho do Brasil esteve absolutamente dentro do esperado, a exemplo do que havia ocorrido em 2004, em Atenas, e em 2000, em Sidney, ocasiões em que conquistamos um número muito parecido de medalhas. Tal desempenho é totalmente compatível e reflete fielmente o peso que o esporte possui em nosso país.

Como eu havia previsto no artigo Olímpica Expectativa, o Brasil competia com reais possibilidades de conquistar medalhas no futebol, no voleibol, tanto de quadra como de praia, no judô, no iatismo e no hipismo, modalidades nas quais possui tradição em competições internacionais, e também no caso de fenômenos individuais, onde a excepcional performance resulta muito mais da capacidade dos atletas do que da estrutura esportiva oferecida na modalidade pelo País.

Nesse sentido, ao compararmos o resultado final com as previsões feitas às vésperas do início dos Jogos Olímpicos, constata-se que o Brasil confirmou as expectativas,  conquistando medalhas – nem sempre a mais esperada – no futebol, no voleibol, no judô e no iatismo. E, no plano individual, confirmaram as expectativas Maurren Maggi, César Cielo e Natália Falavigna, enquanto Jadel Gregório, Rodrigo Pessoa, Diego Hypólito e Jade Barbosa ficaram aquém do que se esperava.

No mais, foi possível observar progressos na natação, com a presença de maior número de nossos nadadores nas provas finais, na ginástica e até no handebol, modalidade em que nossas seleções (masculina e feminina) apresentaram um desempenho bem mais próximo do dos países mais destacados. Louve-se, ainda, a ótima performance de nossas equipes de atletismo no revezamento 4 X 100, em que conquistamos o 4° lugar, tanto no masculino como no feminino. Na maior parte das outras modalidades, porém, nossos representantes não passaram de figurantes, sendo eliminados nas fases preliminares das disputas no boxe, na esgrima, no tênis, no tênis de mesa, no basquete feminino, no remo, nos saltos ornamentais, no ciclismo etc.

Se considerarmos as dimensões do País e o tamanho de nossa população, a primeira impressão que se tem é de que o desempenho foi pífio, já que no quadro geral de medalhas o Brasil ficou atrás de países que apresentam níveis de desenvolvimento muito inferiores, como Etiópia, Jamaica e Quênia.

Numa análise mais fria e realista, no entanto, eu diria que nosso desempenho reflete, de forma incrivelmente precisa, a realidade esportiva de um país no qual a estrutura do esporte competitivo está baseada nos clubes, aos quais o acesso, como se sabe, é extremamente limitado. Enquanto isso, em quase todo o mundo, a base está nas escolas e universidades, o que representa uma base muito mais ampla e democrática.

Vale, nesse caso, uma conhecida premissa: é mais fácil extrair qualidade quando existe quantidade. De acordo com afirmação do locutor Galvão Bueno, no encerramento de sua participação diretamente de Pequim, as pesquisas revelam ser necessário, em média, 2.000 praticantes de uma determinada modalidade, para que se tenha um atleta de elevado rendimento.

Pergunto: quantas pessoas têm acesso aos clubes poliesportivos, base da estrutura do esporte competitivo no Brasil?

Concluo meu artigo com um dado que corrobora essa posição. Segundo afirmação do jornalista Juca Kfoury, apenas 12% das escolas brasileiras – públicas e privadas – possuem quadras esportivas em suas instalações. E, em muitas delas, essas quadras são utilizadas para quermesses, festas, exposições, festivais e não sei quantos outros usos... Menos, para a prática de esportes.

 

     
 

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