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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.


O Espetáculo da Mídia
02/05/2008

Com a mesma velocidade que a mídia constrói uma celebridade ela a liquida .
E constrói também celebridades negativas se o fato gerador for capaz de provocar comoção popular.
Que o digam Alexandre e Ana Carolina , a madrasta, envolvidos na morte da menina Isabela.  Tornaram-se celebridades ,ainda que em sentido destrutivo.
Ronaldo, o Fenômeno , já era celebridade mundial. Mito construído ao longo de anos  pela mídia em cima de seu talento de jogador de futebol.  Mito destruído e jogado na lata do lixo da história em minutos por se envolver com travestis em episódio mal explicado. Vai passar o resto da vida se explicando . Pode até superar isso,mas a sede da mídia ao divulgar o fato, massifica a imagem agora pelo lado negativo.
A história desse jogador que nos trouxe o penta campeonato mundial com os dois gols na final sobre a Alemanha em 2006 ficará manchada. O fato em si é irrelevante. Mas envolve uma celebridade. A mídia que a construiu, a destrói em minutos.
Ronaldinho Gaúcho, Romário, para citar apenas mais dois, são também produtos da mídia explorando seu bom futebol. Romário tem mais intimidade com fatos bons e ruins já que por algum talento inusitado está na comunicação de massa permanentemente, mesmo em fatos sem expressão maior.
O Gaúcho de melhor do mundo está sendo acusado de decair por começar a freqüentar mais a noite, boates e mulheres, do que os campos de futebol. Nada provado, mas a mídia que constrói também destrói ainda que sem provas concretas. Só o barulho da especulação já põe por terra qualquer possibilidade de defesa. 
Cito alguns exemplos, mas na verdade o importante é o conceito. Vivemos uma época onde os valores se perderam se desvirtuaram, e a comunicação de massa, que tantos benefícios traz, cobra um preço alto ao tornar celebridades quem mereceria apenas o desprezo.
A sede da mídia em busca de fatos que possibilitem a cada dia renovar seu estoque de fatos a serem explorados só não é maior do que a capacidade de pessoas sejam do bem ou do mal, de produzi-los.
Para quem gosta do argumento de que a mídia não inventa os fatos, apenas as registra, nem perco tempo argumentando. Apenas lembro que o registro desses fatos deveria ser objeto de bom senso, racionalidade e preservação de valores.
Como nem sabemos mais quais são os valores vigentes, a exploração se torna rotina, banaliza os fatos e, pior, as pessoas. Estas viram produto descartável de consumo.
Como os valores andam confusos e a produção de celebridades igualmente descartáveis é cada vez mais intensa, as pessoas também se sujeitam a qualquer tipo de humilhação, constrangimento, desprezo, para se tornar uma celebridade.
Ronaldo é muito maior do que tudo isso.
Ronaldinho também. Têm direito à privacidade.
Os acusados da morte da menina já foram condenados de cara pela mídia e mesmo sem sentença transitada em julgado já cumprem a pena da execração pública. Diante da mídia.