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Os arroubos de Lula, "seu jeitinho" e o STF
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 03/03/2008
Não foi a primeira nem a segunda e, certamente, não foi a última vez que o presidente Lula entusiasmou-se ao falar de improviso em público. Melhor ainda, num palanque. Ou pior.
Uma característica forte e já conhecida de Lula é sua forma, digamos, grandiloqüente de usar da palavra sem nenhuma censura quando está frente a frente com os eleitores.
Talvez até de forma inconsciente (vamos dar-lhe o benefício da dúvida) ao pisar num palanque o cidadão Luiz Inácio da Silva faz desaparecer o presidente da República e abre todo espaço para o candidato (mesmo que não seja, ou fosse) Lula. E este, sem nenhum constrangimento solta o verbo que agrada à platéia local e faz eco quase sempre desastroso nas demais figuras da República e na parcela, pequena é verdade, pensante da população. Sem ofensas. Apenas constatação.
Isto já é rotina. Ainda assim, causa constrangimento sempre que ocorre. No recente episódio do bate-boca entre o orador Lula e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, na questão do uso eleitoreiro dos chamados "Territórios da Cidadania", apenas ficou reafirmado que isso não vai terminar tão cedo.
A questão, como coloca a jornalista Lúcia Hipólito, é que o presidente da República no episódio foi grosseiro, rude e demonstrou desconhecimento do que de fato seja uma democracia, onde um Poder vigia o outro, como ela destacou.
Impõe-se, diante de tudo isso, um dilema. Já que se sabe que o presidente se transforma em apenas Lula, cheio de arroubos, quando sobe num palanque, fica a dúvida: ou não se leva a sério o que ele diz ou se aprende a conviver com isso, porque como o orador Lula vive em campanha e estamos em ano eleitoral – e, ainda mais, ele lançou esse projeto Territórios da Cidadania, sob acusação da oposição de uso eleitoral – Lula não vai sair do palanque este ano.
De que morte morrer?
Usar a intelectualizada frase da ministra do Turismo?
Fingir que o presidente não disse nada? Ou melhor, que o orador empolgado não disse.
Uma coisa é certa: muita gente diz que esse é o jeito do presidente. Um jeito que muitos acusam ser arma eleitoral à custa dos recursos do Tesouro e outros argumentam ser atitude para favorecer as camadas mais desassistidas da população.
E você, leitor, o que acha a respeito?
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