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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

As Viúvas de CHE

Paulo Saab - Diário do Comércio - 05/03/2008

A América do Sul, por razões que não interessam neste instante, sempre foi um continente atrasado em relação ao resto do mundo.

Nem a desculpa de ser parte do então chamado Novo Mundo comove, na medida em que, na América do Norte, os Estados Unidos e o Canadá (o México mais recentemente com o advento do Nafta), com o mesmo tempo de "existência", descobertos e colonizados após Colombo, sempre estiveram muito à frente em termos de desenvolvimento econômico, social e político.

A América do Sul notabilizou-se por atrasos, ditaduras, republiquetas de bananas e piadinhas (realidade também) sobre paraíso para fugas de criminosos e malandros para gozar a vida.

Tudo isso deveria fazer parte de um passado começando a ficar distante.

A globalização que Antônio Brito chamou de fenômeno tecnológico, e não econômico ou político, tornou o mundo instantâneo e inseriu os países da América do Sul no mapa mundi , mesmo que a contragosto de alguns dirigentes desse continente.

O entrelaçamento, a interdependência das economias, a dependência das matérias-primas de um e outro, dos produtos industrializados e agrícolas deveria ter dado aos governantes essa noção clara da necessidade de cooperação pacífica, amistosa, acima de ideologias ou convicções pessoais.

Deveria, porque infelizmente, esse avanço mundial, ou retrocesso se desejarem alguns (gostemos ou não a globalização é realidade) parece não ter alcançado certas lideranças civis e militares do continente. Viúvas de Che, viúvas do ainda em vida Fidel, atrasados na história, na linguagem, no comportamento, no vestuário, não se constrangem em agredir a história em busca de interesses personalistas que jazem sepultos no tempo passado.

Não há mais espaço no mundo para o socialismo, como não há para o capitalismo selvagem.

A globalização tornou o mundo instantâneo, de alguma forma o "socializou", mas no sentido de abertura de informações a todos no mesmo instante.

O que países como Venezuela, Equador, Bolívia e mesmo a guerrilha na Colômbia ainda desejam fazer é nadar contra a transformação tecnológica e manter-se na vanguarda do atraso.

As falastronices de Hugo Chaves exigem moderação dos demais países, especialmente do Brasil.

O grande país da América do Sul – ao menos em extensão territorial e futebol – precisa, acima até do pensamento de alguns de seus conselheiros ainda na mesma idade das cavernas dos países citados, administrar essas bobagens todas de guerra (que coisa ridícula!) porque todos sabem como essas aventuras começam, mas nunca se sabe como acabam.

A dívida de Chávez (quando ele tiver terminado esse festival de insanidades que comanda) para com a América do Sul, mantendo-a no atraso em vez de dar à Venezuela a grandeza merecida, será imensa e imperdoável.

O Brasil que não afunde nessa.

Paulo Saab é presidente do Instituto da Cidadania Brasil