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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

A volta da velha Senhora
Por Paulo Saab

A ex-prefeita de São Paulo, que na tentativa de reeleição foi derrotada pelo então candidato a prefeito e hoje governador do Estado, José Serra, busca voltar à cena bandeirante ao deixar o Ministério do Turismo do governo Lula para, mais uma vez, concorrer à prefeitura paulistana. Foi derrotada no pleito anterior por sua arrogância, antipatia, elevados indicadores de rejeição exatamente por essas qualidades anteriores e por ter feito uma administração deficiente.

Ela tenta livrar-se - ao buscar reintegrar-se na cena paulistana - de dois estigmas. O primeiro, justamente essa arrogância, que a distanciou da classe média. É impressionante a rejeição ao nome da ex-prefeita, à simples menção, nesse segmento social. O segundo é o tristemente famoso conselho do Relaxa e goza (fora a fraca atuação de sua administração quando prefeita). Dita durante o maior caos já visto na aviação aérea civil brasileira, a infeliz frase revelou exatamente para a classe média de todo o Brasil o grau de desprezo, de distância, de superioridade da ex-ministra para com os problemas cotidianos dos contribuintes-passageiros.

A frase retrata bem quem é de verdade a pretendente ao cargo mais alto da cidade de São Paulo. Funcionários que trabalharam no entorno do gabinete de Marta, nos quatro anos em que desfilou como prefeita, deram testemunhos do destempero verbal e comportamental da petista, tida como irritadiça, desbocada e de comportamento mimado, alterando-se com tudo e todos quando algo não lhe agrada. De público, mesmo que não consiga, tenta passar uma imagem de doçura, de meiguice, que não faz parte de sua personalidade e por isso soa falsa.

Em entrevista à Folha de São Paulo , ao deixar o cargo de ministra para ser pela terceira vez a candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta - que não é mais Suplicy, mas manteve o nome do ex-marido por benefício eleitoral - centrou fogo, como não poderia deixar de ser, em quem a sucedeu na cadeira. Serra, por ter deixado a prefeitura para se tornar governador (venceu o candidato petista em ambos os pleitos), e Gilberto Kassab, seu principal concorrente, a quem sempre desdenhou - quando vice de Serra e hoje, ainda que Geraldo Alckmin esteja à frente nas últimas pesquisas. Kassab será o grande desafio de Marta. As acusações da prefeita terão que ser maiores e melhores do que os lamentos e despeitos. Alckmin terá dificuldades pela falta de discurso. Será oposição a Serra/Kassab? Fará críticas à gestão? Difícil sustentar uma candidatura baseada apenas no desejo pessoal, embora tenha o discurso e todas as condições para voltar a ser governador em 2010 .

Uma coisa é certa: os adversários de Marta sabem que ela sozinha, ao longo da campanha, conseguirá gerar desgastes pessoais, por mais "nova" que queira aparecer, a mando dos conselhos de marketing eleitoral; vale ainda o velho ditado: o lobo perde o pelo, mas não perde o vício.

Lulinha paz e amor não servirá de espelho. Até porque, por mais que venha a apoiar sua ex-ministra, ela não é a candidata de seus sonhos para a sucessão presidencial. Se, por um capricho do destino, Marta vencer a eleição em São Paulo, no dia seguinte estará em campanha para ocupar o lugar de Lula no Planalto, o que não agrada nem um pouco lá no Cerrado. Mas sonhar, todos podem.