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Você deve dizer o que
pensa
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 07/02/2008
O eleitor brasileiro ainda está muito
afastado da política? Por mais que
eu tente responder a essa pergunta afirmativamente,
a única resposta cabível ainda
é 'sim'. Por isto, menciono sempre
a importância do acompanhamento, por
parte dos eleitores, de cada cidadão
brasileiro, do que faz cada um dos eleitos
com o voto popular.
Os vereadores da Câmara Municipal
de Dois Irmãos ,no Rio Grande do
Sul, elevaram seus próprios vencimentos
em 80%. Eles se auto-aumentam, como é
típico da atividade pública.
E nem vou entrar, neste momento, no mérito
da questão dos gastos com cartões
por parte de autoridades e subjacentes.
Abro apenas um parêntese para o leitor
responder se acha certo o que está
acontecendo, nesse festival de cartões
que liberam gastos e dinheiro público.
E pergunto também se está
certo o governo distribuir cargos para os
políticos não votarem uma
CPI para apurar os fatos vergonhosos. Fecho
parêntese.
Se não ocorre a fiscalização
de quem tem mandato popular, isso permite
toda sorte de irregularidades, como as que
temos assistido. Citei o exemplo desses
vereadores gaúchos porque é
o mais recente. Isso se aplica abertamente
pela ausência de um rigoroso acompanhamento
por parte dos eleitores.
A fiscalização sobre os eleitos
é feita pelos Tribunais de Contas,
no caso do Executivo, principalmente. Acontece
que os membros dos Tribunais de Contas são
indicados pelos governantes cujas contas
esses indicados julgarão lá
na frente. Deveria ser concurso público
de alta qualificação. A indicação
é política. O julgamento das
contas é político e o cargo
é vitalício. Ou seja, eterno.
Um círculo vicioso cuja conta o contribuinte
paga.
A distância entre os interesses populares
e os interesses dos eleitos e nomeados é
que permite os abusos.
A impunidade continua sendo a palavra chave
no Brasil.
Isso precisa mudar e só mudará
se o eleitor, o contribuinte, o cidadão
brasileiro, passar por cima de seus próprios,
e talvez justos, preconceitos em relação
à política e começar
a se interessar pela vida pública,
manifestando seu desagrado.
Pode fazer isso, manifestar seu desagrado,
por aqui. Escreva para o e-mail psaab@uol.com.br
. Sua mensagem chegará a quem está
criticando, ou elogiando também,
porque por mais impossível que possa
parecer, muita gente trabalha de forma honesta
e séria nesse mundo político.
Tenho apelado constantemente ao leitor
e eleitor no sentido de aguçar seu
interesse pelo comportamento de quem está
em cargos públicos no Brasil. Sei
que não é fácil vencer
o que chamei acima de preconceito. Sem a
cobrança explícita por parte
de quem votou, junto ao eleito, as coisas
nunca mudarão.
Por e-mail, carta, telegrama, tambor, sinal
de fumaça, seja como for, dirigidos
aos políticos e aos jornais, o brasileiro
deve dizer de público o que pensa
a respeito do que acontece no País.
Essa constrangedora mansidão da
"maioria silenciosa" tem sido
interpretada pelos áulicos como permissiva
carta em branco para que hajam sem nenhum
pudor
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