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“Decifra-me ou te devoro”
29/04/2008
É quase uma espécie de “decifra-me ou te devoro” entre os analistas políticos. Leva o prêmio quem descobrir primeiro os motivos da defesa pública que o presidente Lula faz de políticos de sua chamada base aliada e que, por razões quase sempre de malversação de dinheiro público, são pegos em flagrante e denunciados com certo escândalo. Foi assim com Roberto Jefferson, lá atrás, com a ex-ministra Benedita, depois, quando a teia de corrupção de seu governo começou a vir à luz, em seguida com Severino Cavalcanti, e dando um pulo para não ser cansativo, agora com o governador do Ceará, Cid Gomes, pela viagem internacional da sogra.
A pergunta que cada um se faz e também é feita entre um e outro é qual a razão, como mencionou a jornalista Dora Kramer, para lula exibir vocação para advogar em prol de qualquer transgressor.
Já é público e notório que o presidente cuida de si e se desgruda de qualquer ato negativo de seu governo. Paira acima das denuncias, das provas e das condenações a que são submetidos auxiliares próximos, não havendo reflexos sobre sua popularidade. Ao contrário, sua imagem pessoal está com altos índices de aprovação, enquanto parte ponderável de sua equipe chafurda na lama da má fama.
Sem as razões que o levam a esse tipo de atitude, quase um desafio público para provar seu prestígio junto à massa, defendendo quem comprovadamente teve a culpa revelada, fica difícil até chutar aonde isso tudo vai parar. Não se pode saber se em algum momento sua imagem deixará de estar descolada dos fatos negativos. Estar descolado é um jargão que a mídia gosta de usar.
Vejam no 1º de maio em São Paulo. Na festa da Força Sindical a ministra Marta foi estrepitosamente vaiada. O nome de Lula foi aplaudido. É só um registro para mostrar como o presidente ainda está descolado. A massa votante beneficiária de suas bolsas garantia de apoio, simpatia e voto, vaia ministro de Lula, mas não vaia Lula. E Lula apóia publicamente quem erra e erra feio. Mesmo Marta, depois da desmoralização do “relaxa e goza”, está lá firme, tirando a casquinha que pode do prestígio do presidente para tentar voltar a ser prefeita de São Paulo. Pelos seus índices de rejeição, novamente, será derrotada.
O que vale, agora, deixar assinalado é a pergunta que não quer calar. Por que Lula apóia quem publicamente foi execrado e só o faz após terem sido execrados?
É impossível deixar de admitir que o presidente atual seja figura impar no quadro político. Nem por isso deve se eternizar como desejam alguns fiéis seguidores do ainda enrustido ditador Chaves.
A solução desse mistério poderá levar, no futuro, os cientistas políticos, entre os quais não me incluo embora ministre aulas dessa ciência, a decodificar e explicar ao país e ao mundo, como pode o responsável constitucional por tudo que ocorre no governo, nada saber, apoiar os que agiram mal e ainda pairar acima de tudo como se não o alcançasse o pecado comum nos mortais?
Quem souber explicar receberá o troféu Sherlock Holmes Tupiniquim.
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