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Onde estão os novos
líderes?
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 08/01/2008
Enquanto começa nos Estados Unidos
a corrida para a sucessão presidencial,
o Brasil entra num ano de eleições
municipais.
Os jornais destacaram nos últimos dias
a avidez com que os norte-americanos estão
em busca de líderes; Entendem muitos
articulistas internacionais que o governo
Bush foi fraco. Democratas e republicanos
tentam oferecer aos eleitores daquele país
alternativas capazes de devolver o orgulho
e a grandeza do império do norte, desgastada
em excesso nos últimos anos por guerras
frustradas e economia em declínio.
A questão de busca por líderes
se reflete também no Brasil.Melhor
seria dizer se reflete com muita intensidade
em nosso país .A falta de renovação
de lideranças políticas nos
exibe no quadro nacional nomes que estão
circulando na vida pública há
pelo menos quatro décadas.
Eleições presidências
nos Estados Unidos raramente repetem candidatos
derrotados. Lula só foi eleito por
aqui na quarta tentativa. E ainda há
quem sonhe com um terceiro mandato. Absoluta
falta de opções por quem é
partidário de seu governo?
Essa busca se renova sempre que é ano
eleitoral. Quem aparecerá ,não
como salvador da pátria, mas como político
capaz de merecer credibilidade de ,de fato,
liderar, a condução do processo
político dentro de uma ótica
de Brasil e não de montagem ou manutenção
de grupos explorados das benesses do poder.
Confunde-se sempre populismo com governo popular
e falta de autoridade com medo de autoritarismo.
Os governos ficam fracos. Descompensados.
A esperança,neste 2008 , é que
os Estados Unidos encontrem seus líderes
capazes de não levar o mundo a situações
de perigo e constrangimento e que o Brasil
encontre líderes que não estejam
com a bainha da calça(a maioria até
os joelhos) mergulhada na lama.
Fica também a esperança de que
o governo Lula consiga superar-se e atender
ao seu lema de um Brasil para todos,porque
não tem sido assim até aqui.
Se o balanço econômico do ano
de 2007 para o governo teve um bom saldo,
cabe observar as palavras do editorial da
Folha de São Paulo "Os príncipes"
no apagar das luzes no ano velho, quando mencionou
:"ainda que justas as comemorações
presidenciais carregam o travo da omissão.Nisso
reside a diferença maquiaveliana entre
"fortuna" e "virtú".
Sobrou "fortuna" e faltou "virtú"
a Lula em 2007. Não se deu nenhum desastre;não
se assumiu tampouco,risco nenhum. A mediocridade
pode ser vista,de qualquer modo, como um triunfo.
Desde que se abandonem o que seria deprimente,as
perspectivas de fazer do Brasil um grande
e civilizado país."
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