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A Palavra do Presidente
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 08/04/2008
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou de público, reiteradas vezes, seu compromisso com a democracia e, como tal, seu respeito à Constituição, que prevê uma reeleição apenas para o presidente da República sendo, portanto, contrário a um terceiro mandato.
Nas hostes petistas são freqüentes os discursos e pronunciamentos em favor da continuidade.
Chegou-se a comentar que o Banco do Brasil havia lançado a campanha baseada na sigla TRE, no ano passado, como sugestão implícita ao subconsciente popular do terceiro mandato, fora as iniciativas parlamentares que buscam mudar, ainda na intenção declarada, o dispositivo constitucional a respeito.
O prefeito de Recife, João Paulo Lima e Silva, membro do diretório nacional do PT, afirmou publicamente que o "plano A" do partido é o "terceiro mandato de Lula", conforme noticiou a Folha de S. Paulo no fim de semana.
De acordo com o político, de acordo com o jornal, tanto ele como seus correligionários trabalham com a perspectiva de poder "apoiar a proposta de emenda constitucional do terceiro mandato". João Paulo acrescenta que o PT também pensa na indicação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para a Presidência.
O terceiro mandato foi amplamente comentado por políticos durante a semana passada, disse ainda a notícia. Além de João Paulo, também falaram sobre o assunto o vice-presidente José Alencar (PRB), o deputado cassado José Dirceu (PT-SP) e o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) – que informou que irá apresentar a emenda da continuidade, assinalou a Folha.
Parece haver um esquema de rodízio montado dentro do PT para periodicamente levantar novamente o assunto. O vice-presidente José Alencar já havia levantado a bola também na semana passada sobre o mesmo enfoque, alegando que Lula precisava de mais tempo (sic).
Em muitas coisas e em muitos momentos o presidente Lula mostrou-se um apreciadores dos gestos do semi-ditador da Venezuela, o coronel Hugo Chávez. Nesta questão da tentativa de perpetuação no poder via mudanças constitucionais o presidente brasileiro deve e precisa passar longe da tentação. Seus índices de aprovação são elevados e o presidente sabe que deve isso ao bom momento da economia, que se deve ao fato de ele ter dado seqüência a um trabalho que já vinha sendo feito na área. Foi um grande mérito.
O desgaste natural do exercício do poder, a perda de aptidão, o comodismo e o aumento da corrupção são apenas alguns pontos que recomendam não haver sequer a tentação de aventurar em novo mandato seqüencial.
O argumento mais importante, todavia, o próprio presidente tem usado, e se espera que mantenha sua palavra: é o respeito à regra básica da democracia, da alternância no poder.
Se o PT quer permanecer à frente do poder central, lance seu candidato conforme as regras vigentes e novamente ganhe as eleições, sem alterar a Constituição para um favorecimento eleitoreiro casual.
Paulo Saab é jornalistae presidente do Instituto Cidadania Brasil
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