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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

Sinal Vermelho contra gastos

Paulo Saab - Diário do Comércio - 12/02/2008

Vamos ser otimistas como o sujeito que ao olhar meio copo d água o enxerga meio cheio, ao contrário do pessimista que o vê meio vazio.
Nosso copo está meio cheio.
Refiro-me à verdadeira explosão de gastos pessoais com dinheiro público que veio à tona, revelando a distância enorme ainda existente no Brasil entre o comportamento probo e o inadequado, o irregular, das pessoas que detém cargos importantes e por deformação cultural e histórica deles se sentem donos sem necessidade de prestar contas.
É aí que o copo fica cheio pela metade.
Em vez de criticar e amaldiçoar a escuridão que ainda prevalece nos escaninhos obscuros do poder , vamos abençoar a luz que tem trazido ao conhecimento da população brasileira a quantidade e má qualidade dos desatinos que são cometidos por aqueles que deveriam estar zelando ,administrando de forma correta o bem de todos, o patrimônio público.
É difícil não ficar no mínimo chateado com esse verdadeiro festival de coisas erradas e desculpas esfarrapadas dadas pelos pegos com a mão na botija, como se dizia antigamente.
Seguindo na linha do otimismo, vamos considerar que isso faz parte do doloroso processo de transição que o Brasil enfrenta buscando sair da condição de colônia, de subdesenvolvido, para um país no mínimo justo, equilibrado, para a maioria de sua população e não apenas para os que, por meios políticos, conseguem acesso a cargos importantes e deles se tornam proprietários.
Acompanhando a vida política nacional desde 1971, quando comecei no jornalismo como repórter da Jovem Pan, portanto lá se vão 37 anos, posso garantir que existem pessoas de bem no meio político, mas o número das que fazem da vida partidária, política, carreira profissional pessoal, sem nenhum constrangimento em assaltar os cofres públicos, é muito maior.

Isso porque a população em geral ainda se mantém afastada do processo político, do conhecimento de como funciona a democracia brasileira, até agora dominada por capitanias hereditárias e oligopólios políticos e econômicos associados espuriamente ao erário.
Esse meio copo cheio da farra dos cartões corporativos que permite verdadeiros assaltos “legalizados” ao tesouro público para usufruto de privilegiados de plantão, só poderá ser transformado em copo cheio com a criação de impedimentos e punição de culpados se vier de fato a público e transbordar.
Portanto, deixando de lado o choque causado pela ousadia descarada de quem se serve, até em comprinhas pequenas, do dinheiro público, para seu conforto ou luxo pessoal, vamos todos acender mais luzes vermelhas, não de advertência, mas de ação, exigindo de nossos políticos e governantes a criação de mecanismos que impeçam essa sem-vergonhice generalizada à custa do pobre contribuinte brasileiro.