Fragmentos da má educação
Por Paulo Saab
Em São Paulo, 95% dos alunos da rede estadual terminam o ensino médio sem ter conhecimento suficiente da matemática, diz a Secretaria de Educação. Modéstia. Terminam sem conhecimento suficiente também de português, acrescento eu. Segundo o estudo, conforme se noticiou, apenas 5% dos estudantes do 3º ano do ensino médio atingem o nível de conhecimento na disciplina (matemática) recomendado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A instituição internacional agrupa os países mais industrializados do mundo e já havia classificado o país entre os piores no ensino de ciências.
A Secretaria diz que as pesquisas revelam melhoria no aprendizado da língua, contrariando minha opinião acima. Ou minimizando-a. Menas mau , eu diria. Mais ainda assim o pobrema persiste. Sei pessoalmente do esforço dos professores e da dificuldade dos alunos. Todos querem melhorar. Mas, ainda estamos longe de um patamar minimamente aceitável. O grosso da população brasileira fala sua língua de maneira errada. Nóis vai conversar. A gente vamos ver. Nóis vai se conhecer melhor. É pra mim comprar? Hoje eu vou se consagrar (como diria o Milton Leite), e por aí afora. O registro é mais em forma de desabafo do que um corretor. Como dói ver a língua tão maltratada. Por todo o nível de pessoas, inclusive, autoridades.
De outro lado, dados da Unesco manuseados pelas consultorias, de acordo com publicações na imprensa, apontam que o Brasil tem uma relação ainda baixa de professores para alunos no ensino secundário - 22 contra, por exemplo, 10 da Itália e 14 dos Estados Unidos e do Canadá.
"Não é que a situação vá piorar no Brasil nos próximos anos, apenas não se desenvolverá de maneira tão rápida quanto em outros países", explicou, por meio de sua assessoria de imprensa em Londres, a Economist Intelligence Unit .
Ainda de acordo com veiculação da imprensa brasileira, na América Latina a Argentina e o México também foram escolhidos e ambos tiveram desempenho melhor que o brasileiro. A Argentina ficou na 17ª posição e o México, na 21ª. Daqui a cinco anos, devem trocar de lugar com os mexicanos, subindo para a 19ª e a Argentina caindo para a 21ª, projetaram os consultores.
Os países foram medidos em sete critérios: qualidade da educação obrigatória das universidades de negócios, dos incentivos para jovens talentosos, mobilidade e abertura do mercado de trabalho, crescimento demográfico, propensão a atrair investimentos externos e a atrair novos talentos.
Os Estados Unidos, primeiros no ranking, devem manter sua posição como o país que mais forma ou atrai talentos em 2012, seguido pela Grã-Bretanha, que deve superar a Holanda como o país europeu mais bem posicionado na lista.
Outro fragmento: se não perder nenhum ano, uma criança que ingressa na escola aos sete anos de idade deve cursar o ensino médio dos 15 aos 17 anos. Apenas 47,1% dos estudantes entre 15 e 17 anos freqüentam o ensino médio no Brasil. Em alguns estados do Norte e do Nordeste , esse número não chega a 30%, casos do Pará (28,4%) e Alagoas (25,4%). Entre os alunos de todo o país com idade entre 18 e 24 anos, 12,7% ainda cursavam o ensino fundamental em 2006.
Quando insisto que não conseguiremos evoluir em passos mais acelerados para um país mais justo e equilibrado se o Brasil não investir maciçamente em educação e tornar o tema prioridade nacional, ainda há (e como há) quem torça o nariz, achando que falo grego.
É constrangedor ouvir as gravações feitas pela polícia (com autorização judicial, como insistem em noticiar os telejornais) de diálogos entre bandidos, sejam eles delinqüentes comuns ou autoridades pegas em flagrante delito. O constrangimento é pelo crime que cometem ao infringirem as leis do País e pelo outro crime que cometem ao infringir a gramática, o léxico , a concordância, os verbos, e até o bom senso da língua portuguesa.
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