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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

Em busca de uma causa

Paulo Saab - Diário do Comércio - 16/04/2008

De vez em quando ouve-se aqui e ali movimento de estudantes que, abrigados ou não em entidades tradicionais que os congregaram e congregam, protestam contra isso ou aquilo com o qual não concordam.
Muito se falou sobre rebeldes sem causa. Não é nem o caso da juventude brasileira. Tirando os casos onde há nítida manipulação política em sua formação, onde os alunos são doutrinados e direcionados para movimentos políticos e /ou seitas , a grande verdade é que não há causa ,além da salvação do planeta ou algo semelhante que mobiliza na vida nacional os nossos estudantes.
De certo modo é de estranhar que os sucessivos escândalos que tem se abatido sobre o país nos último anos tenham passado em branco para os estudantes mais engajados. O fato de o PT estar no poder e haver muita vinculação pode ser uma explicação.
De todo o modo vivemos numa democracia onde é livre a expressão de pensamento e a reunião política. O chamado movimento estudantil ficou anos sem rumo e não tem em torno de que causa mais profunda se unir.
Invadir reitorias, protestar no âmbito dos campus, foi o que sobrou, uma vez que não se vislumbra os universitários ou estudantes do ensino médio brasileiro marchando para Brasília para protestar contra os escândalos do governo .
A juventude atual nasceu já dentro do Brasil institucionalizado para a liberdade. Sabe dos anos de fechamento e falta de liberdade por ouvir falar ou ler e pesquisar a respeito (poucos fazem isso).
Nasceram sob a égide da mais ampla liberdade e talvez até por isso não saibam dar o valor devido à liberdade de que desfrutam e , sem causa, buscam motivos para se unir e agir em nome da rebeldia natural que nos acomete entre os 15 e os 22. Alguns persistem até os 80....
O Brasil poderia ter sua juventude unida em torno de bandeiras não de protesto, mas pró-ativas, de construção, de ação, de engajamento, em causas educativas, voluntárias, de orientação e formação de nossa população.
Há um espaço muito grande para os estudantes agirem construindo algo e não esperanto apenas para reagir em protesto ou contra algo que os incomoda.
A questão é a falta de consciência e ,mesmo de participação,da maioria. O problema é recorrente. Os que participam o fazem por protesto ,reação. Os que não participam,imensa maioria, calados assistem e se ausentam de participar da vida do país.
Os centros acadêmicos, os grêmios estudantis, poderiam destinar parcela significativa de sua energia para programas de envolvimento de cada estudante na solução dos problemas do dia a dia das comunidades.
Já seria um grande passo.
Muitos deles já o fazem.
Outros preferem se divertir e a título de exigirem moralidade públicas, mais se divertem do que contribuem para mudar os costumes pátrios mal direcionados.
Mas é perdoável. Nessa fase da vida tudo pode.
Depois é esperar para pedir indenização aos governantes de plantão, contemporâneos das ações.