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"São Paulo não pode parar"
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 18/03/2008
Céllus
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O trânsito de São Paulo sempre foi tema nas conversas iniciais de negócios (aquilo que os norte-americanos chamam de small talk ) ou mesmo nas reuniões sociais, porque sempre há alguém que chega atrasado em função da falta de fluidez na movimentação dos veículos.
Nesse mês de março esse mesmo tema se tornou, além de recorrente e objeto obrigatório de qualquer conversação, motivo da irritação dos paulistanos e circunstantes que trafegam em nossas ruas.
Especialmente no período da manhã, o que não era rotina, e no final da tarde/início de noite, quando as pessoas saem para trabalhar e voltam, o emaranhado do tráfego beira as raias do insuportável.
Cada um de nós, motoristas de si próprios, reclamamos pusilânimes, sem nos dar conta de que estamos contribuindo para esse contingente exasperante de veículos em circulação.
Em momento algum dá pára ter dor na consciência ou sensação de culpa porque não existem opções capazes de dar a quem usa um automóvel a alternativa para deixá-lo em casa.
Nunca o trânsito da maior cidade do País foi pensado em termos de planejamento futuro. As autoridades públicas certamente têm razão em seus argumentos técnicos, mas os políticos põem por terra qualquer justificativa.
Os detentores do poder sempre pensam em sua gestão, sua era, sua renovação de mandato. Muitos, inclusive, interrompem obras em andamento como a atual ministra do Turismo fez, só para citar um exemplo, com o antigo fura-fila. Não vou discutir agora a prioridade ou qualidade do projeto. Mas estava em andamento e ficou parado anos. Como o anel viário de São Paulo, nunca fica pronto.
Como cidadão paulistano que tem necessidade de se locomover para diversos pontos da cidade diariamente, gostaria de poder deixar o carro em casa e circular pela cidade em transporte coletivo. Não temo qualidade que justifique não andar em veículo próprio. Mas os automóveis estão vendendo muito atualmente em função das facilidades de crédito.
Não estaria longe da realidade ao afirmar que os veículos se multiplicam em proporção geométrica e as soluções de trânsito, de obras, a direção do caos nas ruas, em progressão aritmética, quando não estão em regressão.
Os especialistas e as autoridades estão debruçados sobre o problema. A mídia constata, denuncia, grita. E a cidade vai parando. A cada dia demora-se mais para fazer o mesmo trajeto. Cresce o congestionamento na proporção inversa da diminuição da paciência. Está virando um salve-se quem puder. Os cruzamentos estão sendo fechados. As regras estão começando a ser (mais) desobedecidas.
Novamente, como cidadão devo afirmar que não tenho a mínima idéia do que pode ser feito para ao menos estancar o problema. Não acredito em minimizá-lo. Em São Paulo tudo sempre é progressivo, menos as soluções efetivas.
De minha parte, não podendo prescindir, repito, por falta de opções (nem vou dizer decentes... simplesmente inexistem opções) do transporte individual, ofereço a determinação de não exasperar-me além dos limites da civilidade, para não transformar a relação entre motoristas e pedestres num faroeste. E espero, com a mesma santa paciência, que São Paulo não pare de vez e as autoridades encontrem fórmulas para o problema agora e para 2020 – para pensar em curto período de tempo....
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