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Aulas de educação
para motoristas
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 19/02/2008
Aulas de educação para motoristas
Paulo Saab
Abê
A educação no trânsito
é um tema fundamental para a vida
de quem mora numa cidade da expressão
de São Paulo e isso, se aplica, certamente,
de forma proporcional, às demais
capitais brasileiras.
O trânsito de automóveis afeta
a vida de quem é proprietário
de veículo, de quem não é
e se vale de transporte coletivo _ grande
parte em ônibus presos nos congestionamentos
_, e de quem viaja, porquanto os erros e
vícios, acrescentados de velocidade,
são levados para as estradas.
Não é preciso aqui mencionar
metrôs, trens, outros tipos de circulação.
Vamos nos ater aos veículos de tráfego
em nossas ruas.
Segundo informações publicadas
na imprensa a frota de veículos da
capital paulista alcançou o impressionante
numero de seis milhões.
Pelos dados disponíveis, cerca de
800 veículos são licenciados
por dia na cidade de São Paulo. São
cerca de 300 mil novos veículos entrando
em circulação por ano. Não
é sem motivo que a cidade está
parando aos poucos.
Esse seria um motivo a mais e dos relevantes,
para que a questão da educação
no trânsito fosse reavaliada e regras
de civilidade e urbanidade fossem difundidas
com tanta ênfase como as regras de
direção.
Lamentavelmente, ainda somos mal educados
para o ato de dirigir e mais ainda para
o ato do relacionamento com os demais milhões
de motoristas que utilizam as mesmas vias
congestionadas.
Se conseguirmos através da educação
(aqui no sentido de boas maneiras e respeito,
de cidadania propriamente dita) diminuir
o estresse do atraso, dos cruzamentos fechados,
das fechadas, do estacionamento irregular,
das infrações e ofensas em
geral, vamos registrar algum avanço.
Se não conseguirmos melhorar o fluxo
dos veículos, ao menos estaremos
colaborando para diminuir a ansiedade e
a má qualidade da vida que levamos,
todos que dirigimos, em nossos veículos
uma média de cerca de duas horas
por dia, presos nos congestionamentos.
Deixo a sugestão para as autoridades
do setor, no sentido de que nos cursos preparatórios
para a formação de motoristas,
incluam no currículo regras de civilidade
e bom comportamento além de ensinar
o ato mecânico de direção
de um veiculo automotor.
São Paulo, especialmente e mais
do que nunca, se ressente de uma desmobilização
até psicológica de motoristas
que ingressam em seus veículos e
mudam de personalidade e comportamento.
Não atentam para o fato de que é
um engenho que pode transportar, mas também
matar. E que seu condutor é um ser
humano que, em muitos casos, consegue se
transformar num asno.
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