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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

Sucesso ao novo ministro
Paulo Saab

Diz o dito popular que quem fala o que quer, ouve o que não quer ; que em boca fechada não entra mosca , que afobado come cru e que quem fala muito, escuta pouco . E por aí afora. Desde o instante em que o nome do deputado carioca Carlos Minc foi mencionado como possível sucessor de Marina da Silva no Ministério do Meio Ambiente, com as idas e vindas desse anúncio - desmentido seu desinteresse, depois confirmado - o que mais se tem visto é um falatório sem fim que mostra, sugere, um perfil de conduta que ocupará muito espaço na mídia. Normalmente, quando isso acontece, é em cima de factóides e não de fatos e/ou ações boas e concretas. Espero estar errado.

A primeira impressão causada pelas declarações, ora lá, ora cá, do escolhido, sugere a chegada de mais um aloprado ao time de governo. Espero estar errado. Ecochato, ecofalante, como mencionou este DC , determinado em posições pessoais que atingem a terceiros, ainda sem estar empossado, o neoministro Carlos Minc promete muita polêmica em torno de sua pessoa e seu trabalho. Fará sombra ao presidente Lula na ocupação de espaço?

Agredir verbalmente o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, por ser um importante plantador de soja, pode parecer gratuito, mas foi uma espécie de auto-afirmação ideológica despropositada. Ao menos soou assim aos ouvidos leigos. Fora de contexto foi, mas agradou às patrulhas desencantadas. Dizer que vai sugerir às Forças Armadas tomar conta da Amazônia é de uma originalidade ímpar... Como ninguém nunca pensou nisso antes? Já aí está justificando o convite para sua assunção ao cargo.

Não há, olhando friamente, motivo para o novo ministro estar lambuzado. Ele é deputado, secretário estadual no Rio de Janeiro, portanto, já come e comeu melado. De todo modo, como cidadão devo desejar sorte e sucesso ao ministro que estará sob os olhos do mundo, que está de olho na Amazônia. Como é cobiçada nossa rain forest ; our jungle .

A grande verdade é que o Brasil nunca deu, de forma oficial, a importância que nosso território sadio merece. Tanto em termos de fronteiras, quanto de preservação dos recursos, o chão nacional está no Deus dará da ausência de políticas e de fiscalização honestas. Sem falar das demagogias do tipo terras demarcadas para indígenas e quilombolas, descendentes de escravos. Em vez de unir, criam brasileiros apartados.

Se o ministro Minc conseguir implementar um plano de trabalho que mostre a seriedade que o assunto exige, daremos um bom passo nessa direção. Se ele for tão bom de ação - com bom senso - quanto é sem medidas no uso das palavras, estaremos no caminho certo.

Se ele obedecer àquele ditado que diz que não se deve dizer nada que não seja mais inteligente do que o silêncio , aí, sim, a Amazônia estará salva.

Paulo Saab é jornalista