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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

O Avião e o colchão

Foi inspirada e jornalisticamente adequada a manchete deste Diário do Comércio,
em primeira página, na edição da última quarta-feira, ao retratar a cobertura de um incêndio numa loja de colchões
nas proximidades do aeroporto de Congonhas e que açodadamente algum veículo de comunicação divulgou como tendo sido a queda de um avião (e ainda citando o nome da empresa).

A cada episódio desta natureza eu
fico mais preocupado com os caminhos que a mídia vem trilhando em particular a nossa, tupiniquim, no que diz respeito à irresponsabilidade com que informações são difundidas de forma maciça sem a devida checagem, regra básica do bom jornalismo.

Cheguei a ouvir na televisão e a ler em site da internet a notícia da queda do avião, inclusive, farta imaginação(ou má-fé, ou sei lá o que) dizendo ser da Pantanal. Fosse eu diretor da Pantanal e estaria nesse momento no escritório de advogados me orientando sobre como me ressarcir da falsa informação que denigre o nome da empresa.
O leitor há de perguntar, afinal, de que lado estou?

Estou do lado da verdade, do bom jornalismo e tem sido insistente a procura de furos e manchetes em nossos veículos de comunicação de massa, sem a preocupação obrigatória de somente levar ao ar fatos devidamente apurados. O afã de sair na frente, o despreparo de muitos coleguinhas que privilegiam a forma (pessoal) e não conteúdo (pessoal) ao se apresentar como repórteres e comentaristas, ou âncoras, na modernidade, é tão acentuado
que a qualidade e até mesmo a veracidade dos fatos ficam comprometidas. E a dos jornalistas e seus veículos também.

De um avião acidentado (já com o suposto nome da empresa aérea supostamente envolvida) a um incêndio em loja de colchões a distância é gritante. O susto provocado por uma população e familiares ainda chocados pelo acidente de dez meses atrás fez aflorar novamente o medo de conseqüências trágicas. Isto porque alguém,
afobadamente, quis dar a notícia, não importa qual seja e se verdadeira, em primeiro lugar.

O jornalismo atual, pela concorrência, velocidade da informação e dos fatos, precisa se repensar. Não sou autoridade no assunto, a não ser pelos 37
anos de exercício contínuo da profissão, tanto em jornal quanto no radio e televisão.
Tenho visto qualidades e evoluções. Mas a falta de critério, de preparo, de checagem e, especialmente, de bom senso e comedimento, tem pesado muito no respeito que o leitor,o telespectador, o ouvinte, a população, devem ter pelos meios de difusão da informação.

Post Scriptum. O trânsito não anda na 23 de maio. Poucos sabem a que se refere a data. Foi em 23 de maio de 1932 que tropas federais mataram na Praça da República os estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, Martins, Miragaia, Drausio e Camargo (daí o MMDC) que protestavam contra a ditadura Vargas. A partir daí nasceu a Revolução Constitucionalista de 32, orgulho dos paulistas e que devolveu ao país uma carta constitucional, mesmo com a derrota, dois anos depois