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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

Programa de aceleração da corrupção
Por Paulo Saab

 

Quase uma centena de presos envolvidos em desvios e corrupção no Detran do Rio Grande do Sul. Em São Paulo, um delegado da Delegacia de Narcóticos é acusado de enriquecimento ilícito. Em Campos, no Rio de Janeiro, a Procuradoria de Justiça pede o afastamento de todos os vereadores da Câmara de Vereadores. Em Santa Catarina, a polícia prende cinco suspeitos de fraudar provas em concurso público. A Polícia Federal indicia empresários por fraudes em licitação em ministério. A Polícia Federal prende filho da governadora do Rio Grande do Norte em operação contra fraudes em licitações públicas.

As notícias acima foram manchete em um único dia de observação nos jornais brasileiros, na semana passada. Não estão mencionadas as demais, dezenas, centenas, milhares, de denúncias, ações e reações ligadas ao já endêmico grau de corrupção que assola o país. Ao que tudo indica sempre assolou. É histórico. Há quem alegue que, agora, se tem a idéia de maior volume da corrupção porque há ampla liberdade de difusão dos fatos e porque a polícia está agindo.

Certamente esta é uma versão que agrada ao governo. Serve aos interesses do governo. Não se pode descartar, todavia, no outro lado da moeda, que o tratamento condescendente que o governo dedica aos casos de corrupção no seio de sua administração é forte estimulador da ação desonesta de seus próprios membros e seus tentáculos de ligação com a parte podre que age no lado empresarial.

Se em todos os casos catalogados de corrupção no atual governo - e que por isso motivaram a demissão de muitos ministros - tivesse ocorrido uma ação firme do presidente da República, prevaleceria o desestímulo à fraude. Não é o que acontece. Os infratores são perdoados e beatificados em discursos públicos do próprio presidente. Um incentivo a quem está sentado numa cadeira do poder público com más intenções. Verdadeiro ou não o crescimento da corrupção no País sob a égide do comando petista, a verdade é que a sensação de seu crescimento é visível. Palpável.

Os atos de corrupção - de norte a sul , de leste a oeste - envolvendo os membros do poder público com o compadrio de segmentos empresariais e ditos sociais que roubam o dinheiro arrecadado do suor dos que produzem, trabalham, pagam impostos, estão todos os dias, sistemática e infalivelmente nas principais manchetes.

A sociedade brasileira, entendida como tal as camadas da população que trabalham e agem com honestidade, independentemente de sua classificação econômico-social, não pode se conformar com isso e deixar-se acomodar apaticamente, como se não tivesse mais jeito. Um dos modos mais eficientes de se expurgar os corruptos da vida pública é o voto. Pelo voto, os corruptos chegam aos cargos que permitem atacar os cofres públicos como se fossem seus. A questão é que o eleitor coloca o corrupto no cargo e depois o deixa solto, livre, sem vigilância, sem cobrança. O corrupto volta ao poder pelo mesmo voto. E se protege na imunidade do mandato.

Já se disse, há muito tempo - e vale sempre a pena repetir: ou nos locupletamos todos, ou restaure-se a moralidade . Como não estamos nos locupletando, só uma parcela minoritária que rouba por todos, vamos instaurar a moralidade pelo voto, deixando de fora os corruptos, já que não podemos também agir por outros meios...