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Falando
de Constituição
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 25/02/2008
É sempre importante falarmos sobre
nossa Lei Maior. Ela ainda é desconhecida
para a maioria dos brasileiros embora seja
a própria Constituição
que regule a vida do país e de todos
os seus habitantes.
A Constituição é tão
importante quanto deve ser adequada á
realidade do país e às aspirações
e valores do seu povo. Sua constância
também revela o quanto de segurança
ela oferece às instituições
e vida do país.
Nossa Constituição, promulgada
em 1988 e chamada de “Cidadão”
por Ulisses Guimarães, já
tem mais de 50 emendas. A Constituição
dos Estados Unidos é de 1787 e tem
27 emendas.
A nossa é cheia de vícios
e defeitos, mas ela consagra a democracia
e ampla liberdade. Por isso devemos defendê-la
e aprimorá-la na medida do possível
e não por casuísmos.
Algumas cláusulas são imutáveis
na nossa Carta Magna. São “pétreas”
e não podem ser alteradas infinitamente.
Estão explícitas no artigo
60, parágrafo 4º e dizem em
seus incisos de um a quatro que não
poderão ser objeto de emendas a forma
federativa de Estado; o voto direto, secreto,
universal e periódico. A separação
dos Poderes e os direitos e garantias individuais.
Só por essas restrições
já temos motivos para estarmos felizes.
Mas, ainda é pouco para as necessidades
do país.
O ponto principal é o fato de existir
muitos pontos inseridos na Lei Maior decorrentes
do corporativismo e do momento que o País
vivia 20 anos atrás.
De todo modo, entendo que falar, debater,
comentar a Constituição deveria
ser algo natural entre os brasileiros. Ao
contrário disso, a imensa maioria,
e põe imensa aí, simplesmente
ignora sua existência. Seu conteúdo.
Sua função.
Claro que estes comentários são
feitos à luz da realidade brasileira
que conheço razoavelmente bem. Por
isso mesmo considero que o brasileiro, a
brasileira, desde a tenra idade, deveriam
ser estimulados pelo Poder Público,
pelos partidos políticos, pelos meios
de comunicação, pelos instrumentos
educacionais, a se interessar pelo que significa
a Constituição. Pela sua praticidade
e, notadamente, pelo capítulo das
garantias individuais (que não podem
ser mudadas) e das coletivas.
Faz parte de uma educação
adequada, de uma formação
cidadã dos nossos jovens (ou deveria
fazer parte) um culto pelos valores maiores
da pátria, sem que isso pudesse significar
entendimento pejorativo, doutrinação
espúria, coisa brega, ou algo semelhante.
O brasileiro precisa começar a aprender
a amar sua terra, seu país. Claro
que o volume de denuncias, desvios, coisas
erradas leva a um sentimento de inferioridade,
de desilusão. Há quem acuse
a mídia de culpada por só
dar manchetes grandiosas aos fatos negativos.
Há os que a defendem, os que alegam
não ser a imprensa a geradoras dos
fatos ruins, cumprindo seu papel de informar.
Penso que a mídia em geral ainda
deve uma contribuição maior
no item “formar”, já
que nos “informar” e “denunciar”
tem muita competência.
O que interessa, neste espaço de
hoje, todavia, é lembrar, falando
de Constituição, que esta
garante a liberdade de pensamento, de expressão,
de difusão de ideais.
Mais um motivo para sermos felizes.
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