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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.


Terremoto : só faltava essa
25/04/2008

 

Sempre que escrevo sobre a cidade de São Paulo recebo uma enxurrada de manifestações de leitores via e-mail, telefonemas e sinais de fumaça quando a conversa é face a face. Quem ama São Paulo se enfurece com minhas críticas e quem está cansado da má qualidade de vida que a megalópole hoje oferece a seus habitantes, concorda.
Não foi diferente nesta quarta-feira passada,embora eu não tivesse escrito sobre São Paulo.  A questão foi o terremoto no grau 5.2 da escala Richter que alcançou nossa capital por volta das 21 horas da teça-feira. Na quarta só se falou disso. Por onde passei, com quem conversei, o que mais ouvi foi “só faltava essa” , num claro sinal de desaprovação ao que a cidade hoje representa.
“Só faltava essa” contém em si mesmo um tom acidamente crítico. Um desabafo. Um desconforto.
Não vou enumerar outras vezes todas as mazelas e gigantismos que transformaram viver em São Paulo ,por mais que se a ame, num suplício a cada dia.  “Só faltava essa", humilha. Diz que nada é bom .
Tem coisas boas,claro. Fica para uma outra vez.
 Os problemas,a população,os veículos, a falta de planejamento e cuidado, cresceram por décadas em progressão geométrica. E as soluções não conseguiram crescer nem em progressão matemática. Estagnaram na mesmice.
O tremor (tecnicamente é um terremoto) foi sentido. Eu o senti. Não foi a primeira vez. Cerca de 20 anos atrás tive a mesma sensação. Na época o escândalo não foi tão grande ou a medida da intensidade ficou mais baixo. É preciso lembrar que os aparelhos,em duas décadas,devem ter ganhado (ou ganho,como queiram) maior precisão .
É como se alguém tivesse balançado a cadeira por trás,sem arrastá-la. Sem tirá-la do chão,  numa brincadeira. O assunto não tem nada de engraçado. Dá enjôo. É tudo tão rápido,mas a sensação de tontura persiste alguns minutos.
Comigo não passou disso.
Quando fui comentar o assunto com outras pessoas, a maioria disse : só faltava essa.
Tenho leitores que já me escreveram dizendo que se mudaram de São Paulo e sentem saudades da capital nas décadas de 60 e 70. Tenho leitores que querem se mudar e os que dizem que jamais sairão de Sampa.
Já recebi artigos de quem analisa São Paulo à luz da brasilidade. Sim, há quem ache que São Paulo deveria ter “menos” importância no cenário nacional. E há,ainda, quem não acha nada porque é só aqui que consegue,mesmo vivendo mal, não morrer de fome.
Minha relação com a cidade é de pleno conhecimento dos leitores. Chamo-me Paulo,nasci em São Paulo, torço pelo São Paulo e defendo os paulistas e paulistanos onde e quando for necessário,especialmente se a crítica vier de um não paulista ou paulistano. Aí é dor de cotovelo deles.
São Paulo, gostem ou não, é melhor em tudo. (O São Paulo também poderia ser e sempre...). Por isso, só pode falar mal de São Paulo quem aqui nasceu, ama sua cidade , ou se não nasceu que ao menos nela more e igualmente a ame.
Como paulistano da gema, posso então exclamar também : “só faltava essa.”

 


Réplica

Caro Paulo Saab,

 

Chamo-me Valéria e assim como você também nasci em São Paulo, torço por esta cidade e a defenderei por toda minha existência, física ou não. Defendo porque – me desculpe – ela é a “minha” cidade. E defenderei os paulistas e paulistanos, nascidos e de coração, por todo o sempre.

 

O que me deixa louca é crítica de quem pensa que é de lugar melhor do que a minha querida São Paulo. Esta semana, quase assumi minha parte assassina e parti pra ignorância. Estava na calçada da Estação Ciência e ouvi “só podia ser aqui” e mais “só São Paulo mesmo”, ainda não acabou, a pior de todas foi “na minha terra não tem disso, não”.

 

“Por favor, quem não está satisfeito volta pra sua terra!” Deixe São Paulo para quem ama esta cidade. Para que possamos viver intensamente a maravilha de saudar o que acreditamos ser belo e especial, mesmo que incompleto. Quem conhece algo melhor por que abandonar por aquilo que não ama?

 

Deixe Sampa para mim que a amarei por todos.

 

Valéria Paiva