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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

Jeitinho Brasileiro

Paulo Saab - Diário do Comércio - 28/02/2008

O jeitinho brasileiro
Paulo Saab

Faz tempo que estou em campanha contra o "jeitinho" brasileiro. Faz tempo que estou em campanha contra alguém "levar vantagem" sobre outro alguém.

Faz tempo que venho conversando com os leitores desta coluna e meus ouvintes na Bandnewsfm (96.9) sobre a importância de banirmos da vida nacional esses vícios de esperteza que são, na verdade, uma âncora que impede o País de desenvolver-se na questão da educação, da cidadania, da civilidade.

Quando alguém dá um jeitinho, quebra um galho, certamente, faz algo que não está nos manuais de bom comportamento, de correção legal ou de regras de convivência civilizada.

Quando alguém leva vantagem, é porque outro ficou em desvantagem. Em algum momento de nossa história cultural, parece ter sido de bom tom a preconização dessas regras de desrespeito. Há ainda quem se orgulhe de atitudes voltadas para mostrar-se mais esperto do que a média dos brasileiros.

Aliás, esse tipo de brasileiro, o que gosta de levar vantagem, o quebrador de galho, o que sempre dá um jeitinho de fazer a coisa de seu jeito, fora dos padrões, é o cidadão que precisa urgentemente ser reeducado.

Ele pode ser alfabetizado e até ter bom grau de instrução. No fundo, todavia, não está preparado para viver em sociedade. É um troglodita das cavernas circulando em busca da sobrevivência na modernidade.

O tal "jeitinho" é tão pernicioso para o País, que até um livro mostrando como ele atrapalha a economia está sendo lançado. Coordenado por nomes famosos, a começar por Fernando Henrique Cardoso, o livro revela a necessidade da integração da economia brasileira com a das nações mais globalizadas. Para isto, a "malandragem" e os custos que ela traz ao País precisam ficar para trás.

Diz o livro que estudo do Banco Mundial mostra que as empresas brasileiras declaram apenas dois terços de seu volume de vendas para escapar do fisco. Outro dado indica que o Brasil está em 16º lugar entre 18 países que mais descumprem as leis.

Um dos autores do livro, o professor Montoro Filho, cita o recente embargo europeu à carne brasileira. Enviamos à União Européia lista com mais de 2600 nomes de produtores quando esperavam 300 no máximo, só para ganharmos tempo.

Claro que há razões para esse padrão de comportamento de falsa esperteza. Sociólogos e antropólogos podem explicar.

Uma coisa é certa. Um país que precisa modernizar-se e se desenvolver, inclusive, culturalmente, para não perder o trem da história (novamente), precisa reeducar-se para que de fato a lei seja igual para todos.

Paulo Saab é presidente do Instituto da Cidadania Brasil