|
Transparência já!
Paulo Saab - Diário
do Comércio - 29/01/2008
A sociedade brasileira deve exigir do Poder
Público a necessária transparência
em todas as usas atitudes, atos e ações.
O Poder Público gerencia -e sabe-se
que mal- os recursos arrecadados das pessoas
físicas e jurídicas produtivas
do país. Este segmento, o dos pagadores
de impostos, absolutamente minoritário
diante do tamanho da população
e da força de trabalho do país,
carrega nas costas uma nação
inteira de improdutivos e necessitados e um
Estado pesado, gigantesco, que devora o que
arrecada sem devolver na contrapartida, serviços
e investimentos à altura do que toma
dos contribuintes.
Mais do que isso, os gerenciadores dos recursos
públicos estão permanentemente
sob acusação de desvio de dinheiro
, corrupção ativa e passiva,nepotismo,
prioridades duvidosas, incapacidade gerencial
,investimentos desnecessários e toda
sorte de improbidades.
Não bastasse tudo isto a sociedade
brasileira, ao menos o setor que contribui
e muito, é obrigada a conviver com
a escuridão que cerca o uso direto
de dinheiro via cartão de plástico
dado a servidores dos altos escalões,
sem limites de saques e sem necessidade de
prestar contas.
Vai além o festival de gastos. Organizações
não governamentais criadas à
sombra dos interesses de quem detém
o poder, recebem e gastam fortunas imensas
em projetos voltados para o enriquecimento
de quem as criou e as favorece com esses recursos
do erário, sem fiscalização
e sem prestação pública
de contas. Até movimentos ditos sociais,
mas que não passam de organizações
políticas (e radicais) são financiados
com recursos do erário para preparar,
treinar e agir contra os interesses da própria
sociedade.
Não para por aí. As informações
agora mostram que o desmatamento da Amazônia
está sendo facilitado com crédito
oficial de bancos estatais dirigidos a agropecuaristas
que derrubam a floresta para expandir seus
pastos.
Há uma verdadeira farra do boi com
o dinheiro público no Brasil.
O sistema favorece o acobertamento das ações
já nebulosas de quem está no
poder. Ministérios absolutamente políticos,
sem utilidade maior que justifique sua existência
isolada, estão gastando milhões
de reais com saque a descoberto enquanto se
fala em falta de recursos para investimento
e se aumentam impostos. Ministérios
importantes fazem o mesmo. Funcionários
em geral, pela graduação do
cargo, podem e estão gastando em comprar
pessoais sem que o país saiba o porque
desse privilégio escandaloso.
Instrumentos como Poder Legislativo, Judiciário,
Tribunais de Contas e outros existentes na
lei não cumprem suas funções
de fiscalização porque os critérios
de nomeação também são
políticos e porque seus integrantes
participam de festivais semelhantes de gastos
sem necessidade e de benefício próprio.
O presidente Lula precisa atentar para esse
festival de equívocos que ocorre sob
a chancela de seu governo sob risco de entrar
para a história como o governo mais
desleixado e irresponsável na gestão
do dinheiro público, como nunca antes
nesse país.
|