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Os co-infratores “amigos”
29/04/2008
Vem aí mais um feriadão prolongado e mais uma vez virão os abusos dos maus motoristas que infestam nossas estradas. São maus no sentido de irresponsáveis, ignorantes. Existem também os maus que não têm habilidade para dirigir. Estes, todavia, ousam menos, são mais cautelosos. Não tenho números estatísticos, mas o bom senso indica que devem provocar menos acidentes do que os idiotas que ultrapassam em local proibido, invadem o acostamento, desrespeitam as regras de trânsito e se tornam assassinos potenciais com um veículo na mão.
Dentro desse quadro recorrente, ainda se vislumbra uma outra anomalia que acomete os motoristas, inclusive os bons, em todos os sentidos. Observei isto novamente neste último fim de semana na estrada. Motoristas que vêm em sentido contrário piscam repetidamente a luz alta de seu veículo “avisando” quem vem no sentido contrário que mais à frente haverá policiamento.
Acredito até que quem faz esse “aviso” é uma boa alma e o move a boa fé do companheirismo, da identidade de “irmãos da estrada”.
São péssimos cidadãos, na verdade, porque advertem os outros maus motoristas que estão pondo em risco a vida alheia (e a deles, mas aí é problema do idiota motorizado) para “maneirarem” porque tem fiscalização mais à frente.
O criminoso do volante, advertido, até deixar para trás a polícia rodoviária, se comporta normalmente. Para logo em seguida voltar a barbarizar com sua ilimitada ousadia e limitada capacidade de raciocinar.
Que tipo de “solidariedade” é esta que leva alguém a avisar o infrator que ele poderá ser “descoberto” mais adiante?
Somente a punição serve de exemplo a quem age dessa maneira. Impedi-lo de se ser fiscalizado, multado, é um ato contra a cidadania e a favor da malandragem, do descumprimento das leis.
Por isso, meu caro leitor, como sabe que você é do bem, faço a sugestão, se tiver o hábito, se não mais usar o piscar de luz alta de seu veículo na estrada para advertir os maus motoristas da existência de fiscalização logo ali. Deixe os maus motoristas serem pegos. Flagrados. Expostos.
Os números dos acidentes nas estradas são muito altos no Brasil. A vida humana é tratada como coisa nas rodovias pelos motoristas irresponsáveis. Aqueles que ao se sentar em frente a um volante se sentem mais machos, mais fortes, mais aguerridos.
Freud deve explicar.
Neste feriadão de Primeiro de Maio, vamos tentar obedecer de forma racional às regras de trânsito nas rodovias (e nas cidades) como forma de diminuir o número de acidentes.
Cada um de nós pode e deve dirigir com cautela, segurança. E não avisar aos infratores que existe (quando existe) fiscalização.
Quem avisa vira co-autor da infração.
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