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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

01/02/2010

A SAÚDE DE LULA



A crise de pressão arterial do presidente Lula, na semana passada, que cancelou sua ida a Davos, após ser hospitalizado para exames em Recife e o confinou em seu apartamento para descanso, em São Bernardo do Campo, levou muita gente a se fazer uma pergunta que até então não havia passado pela cabeça de ninguém, e certamente, não é desejo também de todo ser humano que seja provido de boa fé. E se Lula viesse a faltar, acometido por algum mal súbito em pleno mandato? Como ficaria o governo, a sucessão presidencial e o quadro político no país?

Após meditação a respeito, conversas com entendidos em política e projeções, chego à seguinte conclusão: neste momento, ainda que haja muitas restrições à forma imperativa de Lula governar e mesmo que possa estar ruim com ele, seria muito pior sem ele.

Portanto, deseja-se pronto restabelecimento e saúde cem por cento ao presidente.

Em um quadro de sua ausência, constitucionalmente assumiria o vice José De Alencar. Como pessoa, ser humano e político, certamente seria um bom presidente. Sua saúde debilitada seria, todavia, menos empecilho para governar, do que o verdadeiro loteamento de prestígio, poder e cargos que tomaria conta da gestão petista, com provável esfacelamento da base aliada.

Sorte duvidosa teria também a candidatura de Dilma à sucessão de Lula, já posta em campo de forma afrontosa à legislação eleitoral. Sem o “padrinho”, o PT bombardearia de todo lado a escolha e haveria uma luta interna muito grande para escolha de um candidato petista nato (Dilma era ate há pouco do PDT). Houve quem argumentasse que isso poderia fortalecer a posição de Dilma. Discordo. Ela é candidata e se sustenta apenas porque Lula quer e tem cacife para fazer valer sua vontade, pela ausência de melhor nome (na visão de Lula) para essa dura competição.

As alas radicais do PT que andam tentando impor cartilhas do falecido marxismo/leninismo em todos os setores da sociedade brasileira, ficariam sem a posição política de Lula, reconheça-se, em servir de freio aos desmandos das alas tresloucadas de seu partido.

Esse tipo de análise poderia seguir adiante. Mas, não é preciso. Primeiro porque a saúde de Lula vai bem e só houve esse escândalo todo porque no Brasil a paparicagem da mídia em cima da figura presidencial só perde para a mídia dos Estados Unidos em cima do Mr.President. E, segundo, porque o augúrio é de que nada aconteça ao ex-metalúrgico para que ele possa completar seu mandato e viver saudavelmente á espera de 2014.

Constata-se, todavia, de uma abordagem simplista no tema que a saúde do presidente é mais importante para o país do que se imaginava. E nem mencionei aqui repercussões de ordem econômica e social.

Do jeito que Lula trouxe o Brasil até aqui em seus dois mandatos, é preciso que ele passe a faixa presidencial na plenitude de seu bem estar físico e mental. Tudo gira em torno dele e sem ele, seria um caos de reordenação do governo que se transformou numa célula estendida do PT e aliados.
Melhor ele concluir sua gestão em paz.

Até porque se Dilma for eleita, hipótese que exigirá muito do governo (entenda como quiser, caro leitor) Lula terá vencido, mas logo perderá força no centro do poder. Os radicais com que Dilma melhor se identifica ocuparão os espaços. E se Serra for o eleito os movimentos hoje calados pelas generosidades de Lula patrocinadas pelo erário poderão retomar suas atividades pouco pacíficas.

O quadro é preocupante para qualquer lado que se olhe.

No momento, o que importa, é todos orarmos pela plena saúde do presidente para que a normalidade, mesmo com suas excrescências, prevaleça.

 

 



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