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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

01/03/2010

 

AS MIL FACES DE LULA


Este Diário do Comércio e O Estado de São Paulo abordaram com muita propriedade em suas edições da sexta-feira passada as contradições e, mesmo, o cinismo, com que o político Lula, no exercício do cargo de presidente do Brasil, tem um discurso para cada ocasião e finge não ser com ele o assunto que não o agrada.

Nesta altura de sua carreira Lula administra com formidável desenvoltura o aprendizado adquirido desde o início da vida sindical, onde desde sempre, foi obrigado a aprender a falar para o auditório presente aquilo que este deseja ouvir. Na presidência do Brasil amplificou essa característica em nível internacional, ciente da desinformação e falta de preparo dos circunstantes para cobrar alguma coerência.

Quando a imprensa o faz, a reação do petista e companheiros é a de fabricar alguma conspiração contra o grande líder ou tentar criar mecanismos solapadores de forma oficial da liberdade de expressão no país
Este DC mostrou na referida edição em matérias ao longo de quatro páginas de seu primeiro caderno as “caras” que Lula usa para cada ocasião. O exemplo dado na capa é uma síntese de como se pode tentar enganar a todos ao mesmo tempo. Busca-se, assim, contrariar a famosa frase de Churchill, segundo a qual alguns podem enganar muitos durante algum tempo, mas ninguém pode enganar a todos o tempo todo. Algo assim.  Diz o exemplo que Lula cobra democracia na democrática Honduras e silencia ante os mortos da tirania em Cuba, Venezuela e Irã.

É apenas uma síntese. O presidente brasileiro surfa desenvolto no terreno da exploração da ingenuidade e ignorância fática da população de seu país, rebelando-se por encontrar resistência nos que conseguem pensar e compreender o oportunismo de suas posições, o que se dá, num país livre como o nosso (para desespero de muitos petistas radicais) através da imprensa.

O Estadão, num editorial intitulado “Do lado dos perpetradores”, na primeira linha já expõe o que pensa :” São de um cinismo deslavado os comentários do presidente Lula sobre a morte do ativista cubano Orlando Zapata Tamayo,ocorrido horas antes de sua quarta visita à ilha desde que assumiu o governo...Lula, segue o jornal, conseguiu superar o ditador Raul Castro em matéria de cinismo e escárnio.
E por aí afora.

A grande verdade é que o presidente da República usa de forma genérica um tratamento e justificativas como se estivesse falando o tempo todo para uma platéia de crianças semi analfabetas. Usa e abusa de metáforas e de tal forma passou a acreditar em si mesmo, face os índices de popularidade dados pelos que de fato são alcançados por suas elucubrações, que hoje em dia, cada palavra sua tem a conotação e a pretensão de ser uma parábola de Cristo no Gethsemani.

Vai ser muito difícil para sua ungida, ostensivamente candidata há meses à sucessão, contrariando a legislação eleitoral (a lei que se dane na visão olímpica do comando atual do país) conseguir seguir os passos messiânicos de seu guru. Dilma é burocrática, sem simpatia natural e forçada no contato espontâneo. Lula, no extremo oposto, sabe usar uma cara para cada momento e venceria o Oscar de melhor ator se tivesse sido ele o interprete de si mesmo no fracassado filme que lhe dedicaram –financiado com dinheiro de interessados no governo- como filho do Brasil. 

Entre os certamente existentes méritos de Sua Excelência não está, decididamente, o compromisso com a coerência e com a verdade histórica.

 



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