| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
08/03/2010
DEVASSAS,DEVASSOS E DEVASSIDÃO
Provocou muita polêmica a campanha publicitária de uma marca de cerveja lançada no mercado brasileiro através de “teasers” iniciais de apelo erótico e depois com a participação da controvertida Paris Hilton, contorcendo-se no melhor estilo corpo-caras e bocas, em micro vestido. . As peças publicitárias foram tiradas do ar e retornaram, numa exploração mercadológica do episódio, com trajas pretas sobre a mulher estilizada na garrafa.
Interessante notar que os argumentos usados foram do alto teor erótico da campanha, uma vez que o título do produto, “Devassa” (e não há aqui nenhuma propaganda) foi o mote da criação do comercial. Mais interessante ainda foi notar que o fato se deu no período de carnaval ,quando a mídia brasileira exibe , dia e noite, desfiles, bailes, trios elétricos e comemorações, onde a nudez feminina prevalece escancarada, sem maiores (ao menos aparentes) reações como a da campanha da cerveja. Observe-se também que o fato de se ter apelado para uma “celebridade” internacional não provoca, alem da própria polêmica temática, nada mais que inveja, já que por aqui a nudez e o erotismo correm soltos em horário nobre da televisão brasileira.
Este é outro ponto. A licenciosidade dos costumes não tem mais limites nem valores. Tudo é aberto, permitido e explorado de forma direta. Quem comenta –caso presente- corre o risco de ser acusado de falso moralista, conservador, reacionário, ou outras bobagens bem ao gosto dos que em nome da liberdade contra ela conspiram visando o controle totalitário de tudo.
A devassidão está em largo espectro instalada na sociedade atual brasileira, entendida como define o Michaelis: Qualidade daquele ou daquilo que é devasso. 2 Libertinagem, depravação, corrupção.
A falta de lideranças identificadas com os anseios e aspirações da sociedade brasileira, os exemplos de mau comportamento, em todos os sentidos, que inclusive, vem de cima, deixam o brasileiro, a brasileira, à mercê de quaisquer valores que lhes sejam transmitidos. Mas só provocam polêmicas os que sofrem manipulações de interesses. No caso do produto para dar-lhe mais visibilidade e, levando para o lado da vida nacional, como movimentos políticos que, em falso nome do social, mobilizam grupos pagos de algum' modo, para fazer parecer legítimos, com “legítimas” reivindicações.
Sobre a devassidão e os devassos da vida pública pátria? Vejam que o sentido de devassidão alcança a corrupção, a depravação.
Onde está a polêmica que possa questionar, discutir, tirar do ar, os políticos criminosos que atentam contra o interesse público. Não vale o caso do ainda governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, Como bem mencionou o ministro Ayres Britto, do STF, “....Há quem chegue às maiores alturas para fazer as maiores baixezas”. Arruda, estulto, foi pego com a mão na botija.
Parodiando antigo personagem cômico da TV: mas, só ele? Cadê os outros?
A devassidão campeia solta e não é marca de cerveja.
Os devassos nadam de braçada no território nacional.
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