| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
08/12/2009
LEI ELEITORAL NÃO VALE
A candidata do presidente Lula à sua sucessão ministra Dilma Roussef, assim como em outros assuntos de interesse nacional, o atual governo passa como trator por cima da legislação , atropelou uma vez mais a lei eleitoral ontem em entrevista concedida a radio Jovem Pan de São Paulo.
Candidata assumida e declarada na corrida presidencial, a ministra, com o apoio do presidente Lula que nada vê nada sabe, quando interessa, está em campanha aberta, valendo-se dos recursos e da exposição que o cargo permite, em oposição frontal à lei que regula uma disputa eleitoral. Qualquer candidato, só pode expor-se, opinar e agir como tal, após a convenção partidária estabelecer legitimamente a candidatura. O que deverá ocorrer somente a partir de junho do ano que vem.
Seria ingenuidade imaginar que, com a sede de poder que o grupo hoje instalado no planalto, além da desfaçatez com que trata os assuntos legais, não fosse se aproveitar dos mecanismos de que dispõe para tentar sair na frente, dando visibilidade a uma candidata imposta como herdeira ou sucessora.
Aceitar, todavia, a forma como isto vem ocorrendo e a abusada –até forçada- exposição pública, via eventos do governo e da própria mídia, como está acontecendo, à revelia da lei, é deixar evidente uma vez mais a incompetência da atual oposição política brasileira em fazer oposição. Sem mencionar a inibição natural decorrente de envolvimentos em conluios e casos de corrupção que deixa essa mesma oposição inerte, como acontece agora no escândalo Arruda. É deixar evidente também que para os integrantes do governo Lula não existem limites, nem mesmo os legais, para o comportamento típico do sindicalismo instalado no país. Atropelam-se tudo e todos para se conseguir os objetivos desejados pelo grupo dominante.
“Ministra praticamente assume pré-candidatura em entrevista”
Esta foi uma das chamadas da notícia, publicada na página da Folha de São Paulo na Internet, pelo jornalista Fernando Rodrigues, que ajudou de Brasília, a entrevistar a ministra.
Certamente as declarações de Roussef, suas opiniões de campanha sobre política, economia, eleições, estarão hoje nas páginas dos jornais de todo o país. Em, repita-se, aberta e ilegal campanha eleitoral, enquanto a oposição perde-se em tertúlias internas movidas a espaços e estratégias dúbias.
Expõe-se aos olhos do país a estratégia governista de ocupar a qualquer título e meio o espaço possível para dar visibilidade a uma candidata chapa branca, de gabinete, que jamais disputou um cargo eletivo em sua vida (Lula ao menos foi deputado federal, além de presidente de sindicato). Infringir a lei eleitoral é o de menos, visto que se sabe que a impunidade reinante em todas as latitudes e longitudes nacionais, aqui prevalecerá também.
Expõe-se aos olhos do país, também, o quanto não existe, tanto da parte do governo, como da oposição, um projeto para o país, mas somente projetos de poder pelo poder.
O governo faz o que pode e o que não se pode fazer, para assegurar que vai, pelo voto popular, perpetuar-se nos cargos. A oposição, não faz oposição, não tem planos consistentes e apenas fica na espreita esperando brechas para nomes serem aproveitados ou consolidados.
O Brasil mereceria coisa melhor.
Pensando bem, se pode até duvidar, já que o país assiste a tudo isso de forma complacente, quando não cúmplice.
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