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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

09/03/2010

 

Os obstáculos de Serra(e Aécio)


Para um virtual candidato ao cargo de presidente da República, que não assumiu abertamente ainda a candidatura e que apesar de encontrar a candidata indicada pelo governo em campanha já há meses, mantendo ainda assim o primeiro lugar nas pesquisas, a vida poderia parecer mais fácil, mas não é. São muitas as agruras no caminho de José Serra. E de Aécio também.

A começar das controvérsias internas de seu próprio partido e aliados políticos. Existem enormes divergências entre os que concordam com a atitude muda de Serra de não entrar no jogo eleitoral antecipadamente, mesmo correndo o risco de perder espaço nas pesquisas de opinião pública, e os que entendem necessária uma estratégia mais agressiva do candidato, com uma linguagem de oposição bem definida e exposta ao eleitorado.

Outra questão é crucial. O embate interno entre José Serra e Aécio Neves. Soa, argumentam alguns tucanos, perante a opinião pública, mais como uma briga de vaidades do que como líderes nacionais abrigados no mesmo partido que deveriam estar em busca do que é melhor para o país. Pode até ser que ambos os governadores dos estados mais importantes do Brasil tenham de fato esta intenção. O que é entendido do fato, todavia, é a existência de uma queda de braços que deixa em segundo plano a importância da campanha eleitoral já posta nas ruas pela candidatura oficial do governo.

A ida de Serra a Minas na comemoração dos cem anos que Tancredo Neves (avô de Aécio) faria se vivo fosse, evidenciou ainda mais a aparente desunião de objetivos entre os dois. Pode até não ser. Mas que parece ser parece.

É mais um obstáculo para Serra.

Todos sabem que as chances eleitorais do tucano (de qualquer um dos dois) passa pela união de esforços de ambos em seus estados de origem, cujos eleitorados, somados, são capazes de competir com os votos que Lula certamente dará à sua candidata no norte e nordeste.

Neste momento, e tudo indica que não é estratégia determinada, Serra e também Aécio, estão largamente atrasados em relação ao espaço já ocupado por Dilma, aos planos e ações delineados por sua equipe, dentro e fora do governo. Não mostram também definições temáticas nem desenho de comportamento e discurso na campanha que, queiram ou não, começou há meses.

Este atraso necessitará ser recuperado caso os tucanos e seus aliados queiram, além de participar da disputa, fazer um bom papel com condições de vitória.

A união entre Aécio e Serra, dentro do partido e numa estratégia eleitoral, é fator determinante para algum possível êxito.

Quem vai ser o candidato a presidente, a vice, ou a outro cargo, é algo que deveria estar um degrau abaixo do atual patamar. O risco é de ninguém ficar em lugar algum.



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