| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
11/01/2010
MAIS DO MESMO NOVAMENTE?
O Brasil tem a cada dois anos a oportunidade de melhorar sua representação política e a qualidade de seus governantes e este ano não será diferente por conta das eleições quase gerais.
A lentidão e a dificuldade desse aprimoramento se encontram num circulo vicioso. A falta de educação no geral da população e a falta de educação política dos que se dispõem a participar da vida pública. Com isto geramos a cada novo pleito uma elevada repetição de nomes que vivem da carreira e eventuais novos atores dessa cena que já chegam despreparados e eivados dos mesmos vícios de salvarem-se a si próprios à custa do que é público.
As manchetes dos jornais nos primeiros dias de 2010 já revelam o padrão normal de comportamento dos políticos e governantes pátrios, sinalizando, lamentavelmente, que tudo segue como dantes no quartel do Abrantes. Para haver mudanças, não as demagogicamente cantadas por candidatos, mas de elevação da qualidade dos eleitos, é preciso melhorar a da população em geral e esperar maior apuro, melhor critério, no voto de cada um de nós.
Começamos este exercício com as novidades de sempre de Brasília, por exemplo. O governador Arruda morrendo de rir e o deputado que pôs dinheiro escuso na meia sendo o responsável pela apuração das acusações. Ele é um dos acusados.
O governo, mostrando sempre que quanto mais diz que o país é de todos mais quer dizer que é só deles, manda a Aeronáutica mudar laudo técnico sobre os caças porque quer comprar da França e os especialistas apontaram os aviões suecos como melhores. Nada a ver com o fato de se chamarem Saab.
O governo faz manobras contábeis e orçamentárias para garantir a meta de superávit das contas públicas. Típico.
O Senado, sempre de costas para a nação, retoma a farra das passagens aéreas e faz escárnio da opinião pública, que, aliás, não está nem aí com o que fazem com seu dinheiro, pelo dito nos parágrafos iniciais. Por isso os ilustres parlamentares não estão nem aí com nada a não ser salvar o deles. Justo Veríssimo é o paradigma.
A população brasileira precisa ser educada em todos os sentidos. Isto não interessa aos políticos e governantes. Povo educado vota com discernimento. A maioria vai perder a boquinha.
Além de termos representantes à altura da deseducação geral (para ser fino e não dizer ignorância) a mesma população dá tiro no pé. Constrói irregularmente (ou autorizada pela irresponsabilidade pública) em barrancos e pés de morros. Joga lixo nos córregos e bueiros. Não contribui em nada para que haja vazão e ausência de risco de deslizamentos nas sempre presentes chuvas torrenciais de verão.
Depois das tragédias a mídia que não ajuda a educar se faz de salva pátria na defesa dos atingidos –obrigação- sem lembrar-se de que não orientou antes. E as autoridades são cobradas –justamente- e fazem pouco perto do muito exigido. Até porque a população quer anistia e autorização para construir em áreas de preservação e de risco.
Nada de novo no reino podre de nossa pobre dinamarca.
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