LIVROS
PUBLICADOS










 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

14/12/2009


O FASCÍNIO ABSOLUTO

 

O presidente Lula anda fascinado consigo mesmo.

Tanto do ponto de vista político quanto sob o ângulo do carisma pessoal.

Não se pode negar, gostando ou não de seu jeito, que o presidente identifica-se com facilidade com a massa da população brasileira, por razões óbvias de mesma linguagem e origem humilde. Também é inegável que o jeito brejeiro (no sentido de brincalhão e não de desonesto ou ocioso, como diz o Dicionário Michaelis) cativa presidentes e ou ditadores de outros países e suas mídias, dando-lhe uma popularidade internacional. Qualquer estagiário em psicologia sabe que se trata –esse jeito informal de tratar personalidades- mecanismo de defesa, de trazer o circunstante para o seu (de Lula) campo de conversa e assuntos. Sabe também que no relacionamento com a massa ignorante brasileira a utilização de linguagem gestos e atitudes de identificação, são estudados.

Tudo isso forma o conjunto da personalidade pública do presidente Lula que lhe dá de troco generosos números no índice de popularidade. Embalado nesta admiração massiva e incensado por áulicos que se beneficiam do circulo do poder, o ex-metalúrgico, ser humano comum que é, embora tentem vende-lo como semideus, perde frequentemente o contato com a realidade terrena, e flutuando sobre o solo, toma-se de uma auto-fascínio absoluto que o leva a perder completamente o sendo do que representa seu cargo.

Ao usar num palanque no nordeste, sempre lá, a expressão “o povo está na merda”, Lula mostra, para quem acompanha há anos a política e sabe discernir o comportamento dos demagogos, que, em situação assim, acredita realmente no que está fazendo e falando, como se fosse a coisa mais natural do mundo e estivesse no sofá de sua casa. Nem no sofá do Palácio da Alvorada, que não é seu, poderia ou deveria ter um comportamento chulo.

O fascínio absoluto do presidente por si mesmo, sustentado pela popularidade que mantém, mesmo que de cobertura a desatinos e não se empenhe em combater a corrupção e o mau comportamento de seus companheiros, o impede de diferenciar o cidadão Lula do figurino de chefe da Nação e do Estado brasileiro.

Esse fascínio é contagioso, espraia-se pela equipe, ou dela vem para cima, como se observou no programa televisivo que PT levou ao ar no horário nobre da quarta-feira passada, quando o presidente, para promover de forma a infringir uma vez mais a lei eleitoral, fez apologia da sua ministra candidata à sucessão. Lula e por extensão, Dilma, no bojo de suas próprias auto-avaliações estão definitivamente acima do bem e do mal, são a perfeição sobre a face da Terra e nada que existiu antes deles tem valor ou serviu para algo.

A forma ostensiva, sem nenhum constrangimento com que os seguidores de Lula, e o próprio, claro, agem, falam, ditam e asseveram suas verdades, destruindo ou desconstruindo outros valores, tem objetivos claros de perpetuação no poder. Lamentavelmente, para eles, o Brasil não é a Venezuela e precisam se manter no poder pelo voto das urnas. Dá um trabalho danado e custa uma fortuna, mas o dinheiro é público, então novamente, não há rubor em facilitar a simpatia e o apoio dos beneficiados.
O fascínio absoluto pode um dia despencar. Como diz o dito popular, a justiça (no caso a verdade) tarda, mas não falha.

 

 



Nome:
Email:
Assunto:
Comentário: