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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

15/12/2009


A MALANDRAGEM IMPERA

 

Para se ter sucesso no Brasil de hoje é preciso ser malandro, desonesto. Pelo menos empiricamente a probabilidade de se alcançar os objetivos pessoais está mais acentuada na forma enganosa de agir, iludindo os incautos, do que percorrendo os caminhos do trabalho sério, honrado, respeitando os valores da probidade.

Isto é histórico e grudado no ser humano. Acentuou-se, todavia, no Brasil contemporâneo, uma vez que se espraiou na sociedade, a partir do exemplo das autoridades e de lideranças ascendentes de situação econômica e social mais carente, que “ao chegar lá”, estes evidenciam, por palavras, atitudes, que só o conseguiram porque andaram fora dos padrões admitidos como éticos, decentes, enfim, tidos como normais anteriormente.

Isto é captado pela massa e torna-se referencial. Para se lograr êxito é preciso transgredir, ousar de forma infratora. Até porque se tem certeza da impunidade.

Este é o filme em cartaz no cenário nacional.

Transporte-se isso, agora, para a área da malandragem bandida. Aquela tipificada tradicionalmente no Código Penal. Sim, porque a acima referida não se tipifica em Código algum. Está criando com referência pública o Código da Desonra.

O crime, como dele se sabe há milênios, aquele praticado através de atentado a terceiros, seja ele decorrente da má índole, da origem, do meio, ou de qualquer fonte que antropologia, a sociologia ou a psicologia queira lhe atribuir, este é renovável em sua criatividade, em sua busca de sempre inovar na arte de locupletar o criminoso à custa do esforço de outrem.

São milhares de modalidades de crime e, quando se aperta o cerco a uma, migra-se para outra ou simplesmente se criam novas. O exemplo, mais uma vez, vem de cima pelos mensalões, cuecões, e ações públicas desonestas praticadas por lideranças políticas do país.

Está na moda agora o assalto a quem chega aos aeroportos. Existem os assaltos nas estradas,quando se diminui a velocidade nas lombadas, existe de tudo e para todos. É um supermercado do crime, alimentado pela miséria, e pela desonestidade pura e simples.

Cheguei a Congonhas dia destes e fui abordado por um homem que me indicava outro, de dentro de um carro, próximo ao meio fio, que me chamava aparentemente para pedir uma informação ou dizer algo. Como não fui, pois prestava atenção em quem estava chegando para me pegar, o veículo foi embora e o que me chamou a atenção afastou-se. Em casa, no noticiário da televisão, por coincidência, no mesmo dia, vi que era golpe. Assim que eu prestasse atenção ao malandro dentro do carro, o que me apontou levaria minha mala.

Estão lá, todos eles, na praça de fumantes de Congonhas, no lado externo do saguão central, atentando contra as pessoas de boa fé. Na cara da polícia.

Pouco tempo atrás pessoa conhecida foi assaltada na porta de sua casa em Moema ao descer do taxi da Guarucoop vindo de Cumbica por um motoqueiro armado que aparentemente esperava já pelo viajante. Neste domingo passado a Folha de São Paulo publicou reportagem mostrando que há evidências de que os motoristas (alguns maus motoristas) daquela cooperativa indicam a terceiros para que endereço vão, ou são seguidos a partir de sua entrada na Avenida Tiradentes, para o passageiro ser assaltado ao desembarcar. A polícia sabe disso tudo.

Tudo orquestrado. Pensado.Montado.

Em muitas coisas o Brasil vai bem, obrigado.

Naquelas que dizem respeito a valores, respeito, trabalho, seriedade, dedicação, ainda vai mal.. mais do que nunca,muito mal.

A sensação que fica é a de que só se dão bem os malandros. Os criminosos. Sejam autoridades, pés de chinelo ou bandidos profissionalmente organizados. Que, inclusive, corrompem os políticos e a polícia. Ao menos alguns de influência para proteção geral da “coletividade”.

 

 

 



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