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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

18/01/2010


SEGREDOS INACEITÁVEIS

No momento em que o próprio governo federal provoca polêmica em busca do que chama de “verdade”, no que diz respeito ao que o próprio governo considera serem “direitos humanos”, uma vez mais vem à tona informações sobre o uso de cartões corporativos por membros do mais alto escalão da administração Lula.

Segundo se divulgou na semana passada, as despesas pagas por meio do cartão passaram de R$ 55,3 milhões, em 2008, para R$ 64,5 milhões no ano passado – uma diferença de quase R$ 10 milhões. À frente dos que mais utilizaram os cartões continua a Presidência da República, com R$ 15 milhões pagos, dos quais 93% não podem ser discriminados por serem “informações protegidas por sigilo, para garantia da segurança da sociedade e do Estado”.

Traduzindo: quase 14 milhões de reais foram gastos por pessoas ligadas ao presidente da República sem que o contribuinte, a população em geral possa saber onde esse dinheiro foi consumido. Nem por quem.
Isso é uma ofensa à verdade.

A Presidência informou que o aumento de 22% no uso do cartão ocorreu principalmente pelas despesas com o evento da Cúpula da América Latina e do Caribe, cujo vencimento se deu em janeiro, e pela realização do Fórum Social Mundial, no início do ano. “Nos referidos eventos, houve a participação de inúmeras delegações estrangeiras. Excluídas essas despesas, a execução nominal com o cartão de pagamentos manteve-se praticamente a mesma que a de 2008”, diz a assessoria de Lula. Numa situação como esta, onde tudo é sigilo, não será necessária também uma Comissão da Verdade?

É inaceitável que a título de segurança da sociedade (?) e do Estado (?) haja pessoas acima das leis e normas, princípios contábeis, etc., que tenham permissão para gastar onde e como desejarem, sem dar satisfação à opinião pública, dona do Estado, formadora da sociedade e responsável pela eleição de quem gasta essa fortuna de forma sigilosa.

À lá 007, existe também quem tenha permissão para, além de gastar, também para matar? Sem prestar contas com a Lei?

Há tanta coisa errada, distorcida, na condução dos mecanismos republicanos de nosso país que quem acompanha e entende fica perplexo. Mas não dá para ir além da perplexidade. O que não falta no Brasil.
Num parêntese, vejam a verdadeira e popular cara de pau do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que vai a cerimônia pública, continua sorrindo no comando, sem ser incomodado por ninguém e ainda diz que perdoa. Nosso Jesus às avessas.

Voltando aos gastos escondidos do governo. O Ministério da Integração Nacional (sabe-se lá o que é isso) dobrou suas despesas com cartões corporativos. O Ministério da Justiça, do revanchista e anacrônico ministro Genro, com todo respeito, passou de cerca de sete milhões em 2008 para 13 milhões em 2009. É muito, mas muito dinheiro do orçamento público que fica solto, garantindo os privilégios e mordomias dos mandantes de plantão.

Para quem não se lembra, conforme a imprensa cita, com o aumento de recursos envolvidos, os gastos feitos por meio do cartão começaram a chamar atenção, principalmente os que envolviam as quantias sacadas na boca do caixa. Em 2008, o desgaste provocado pela denúncia de irregularidades na utilização dos cartões acabou derrubando do cargo a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

E agora, não vai cair ninguém? Claro que não. Em nosso Brasil, Sarney,Arruda, funcionários graduados do Planalto, ministros,não caem nunca,mesmo pegos em flagrante.

Cai nosso queixo de ver tudo isso, ter que assistir a mutação da verdadeira verdade em hipocrisia e da falsidade em verdade, sem mecanismos, que não o voto, para mudar. E a propaganda maciça da falsidade não deixa a massa enxergar como tudo é feito.
O grito de inaceitável se perde no vazio.

 

 



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