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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

21/12/2009


BRASIL UM PAÍS DE TODOS...



De fato o Brasil, acompanhando o slogan do governo federal, é um país de todos. De todos os vizinhos da América Latina. Especialmente a do Sul.

É uma festa o que os “hermanos” de língua espanhola, e não são só os argentinos, ao contrário, tem deitado e rolado sobre o Brasil abrigado nessa frase de que somos de todos. Nunca antes na história desse país fomos tão submissos aos interesses de terceiros.

Sob o aparente manto da busca de liderança e de popularidade internacional para nosso presidente, tudo é concedido, tudo é concordado. Se lá fora alguém ronca mais grosso ou bate o pé com força, o Brasil cede e se torna cada vez mais de todos.

Não é preciso alongar o assunto. A memória do leitor está em dia.

A Argentina desde o primeiro mandato de Lula tem imposto ao Brasil restrições de entrada de produtos brasileiros, com enormes prejuízos a indústria nacional. Recentemente, o ministro Miguel Jorge conseguiu –e olhe que para “acalmar” os barbudinhos do Itamaraty não é fácil- conseguiu criar também alguns embaraços aos produtos importados da Argentina, mas o quadro ainda não mudou. Eles mandam e fazem o que querem em nome de um suposto benefício à indústria daquele país quando na verdade estão importando mais da China, Itália e outros países, em detrimento do Brasil.

A Bolívia sapateou em cima das empresas brasileiras instaladas naquele país. De nacionalização a confisco,. Tomada de plantas com exército e outras medidas de força para impor ao Brasil condições para seu gás e se apropriar do que não era deles. Conseguiram claro, e ainda agora, seguem impondo aumentos aos produtos naturais que nos enviam, com o consentimento explícito do governo brasileiro.
Até o Equador andou dando uma de esperto em cima de empresas brasileiras lá operando. Claro, conseguiu o que queria.

O Paraguai nos humilhou na campanha eleitoral onde Itaipu foi a bandeira de estardalhaço. O governo que prometeu apertar o Brasil na sociedade venceu (sim, o ex-bispo que tem um monte de filhos) e, indo a campo, e encontrando somente salamaleques tupiniquins, arrancou uma grana preta do povo brasileiro e forjou um novo acordo –melhor para o Paraguai- na sociedade de Itaipu onde entramos com tudo e mais os ônus e eles com o recebimento de benesses por estarem na fronteira. Não quero ser – nunca fui- xenófobo. Somente quero ser justo.

Da Venezuela nem vou falar. O fanfarrão Chaves praticamente abriu uma sucursal em Brasília onde se sente mais a vontade do que em sua casa. Manda onde quer, quando quer e como quer. Fez até o Brasil engolir Zelaya, de Honduras, em nossa embaixada em episódio muito conhecido e ainda em aberto. Agora está entrando para o Mercosul só com a cara de pau e a aquiescência complacente do governo do Brasil. Rasga os estatutos do Mercosul porque é um ditador em imposição de fechamento total da liberdade naquele país. E otras cositas más...

Até o Uruguai vai acabar roncando em cima do sul brasileiro. É só esperar um pouco mais.
Daria para desdobrar cada tema desse e ampliá-los. Mas não convém abusar da paciência do leitor em fim de ano, todos cansados e muitos desesperançosos de ver como vai a América Latina, que, maldosamente um conhecido chama de “América Latrina”, com o que não concordo.

Nunca antes na história desse país, repita-se um slogan de governo coube com tanta precisão no cenário internacional. No interno a conversa é diferente. O Brasil de todos a que se refere é o dos companheiros privilegiados e de quem recebe o que o governo suga da sociedade e distribui não como política de melhorar o país, mas de caráter eleitoral.

 

 

 



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