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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

21/06/2010


AH! SE ELES(OS POLÍTICOS) SOUBESSEM...

 

Ou melhor...ah! se eles quisessem...

Para mim o assunto é recorrente, mas sempre que surge oportunidade de debatê-lo com público de nível qualificado, aparece com força estimulante e suficiente para mostrar que há um potencial latente que busca meios de expandir.
Refiro-me ao interesse da classe média (público da cidade de São Paulo, onde se concentram correntes imigratórias e migratórias) em encontrar meios de participar da vida pública do país, ter possibilidade de interferir nas políticas públicas e ter sua voz ouvida nas grandes decisões nacionais.
Tive esta oportunidade, uma vez mais, ao participar do ciclo de encontros do Terceiro Setor, do CIE-E –Centro de Integração Empresa Escola, nesta sexta-feira, falando sobre o tema “A necessidade da conscientização dos brasileiros para exercício da cidadania”.
De tudo o que foi dito e debatido com o público presente, chamou minha atenção na ênfase dada à ausência de comprometimento, de participação, de maior peso, da classe média nos destinos da vida nacional.
Esse público, extrato da própria classe média, formado por estudantes de nível médio, universitários, professores, consultores, profissionais liberais, aposentados, representantes do Terceiro Setor, empresários, enfim, toda gama de público desta classe econômica/social, recebe a pecha de acomodada, indiferente, omissa, quando quer participar e não encontra os canais, os meios e, principalmente, não tem representação política e partidária comprometida, compromissada, com seus anseios, valores e expectativas.
Por isso mencionei que neste espaço o tema é recorrente. Os leitores sabem o quanto brado aos políticos pátrios a distância que os separa da massa votante representada neste extrato. Claro que muito são eleitos. A classe média vota. Mas não lembra em quem votou, não tem vinculo algum, nem cobra, quem recebeu seu voto.
Não é momento de novamente discutir o voto distrital, por exemplo, mas de reiterar o alerta de que falta liderança capaz de empolgar de forma carismática e de identificação de valores essa massa votante, dispersa, perdida e, pior de tudo, pagadora isolada das contas públicas através dos impostos, taxas, tarifas, que recolhe.
Em momento eleitoral é preciso dizer... ah..se eles, (os políticos ou pretendentes a tal) soubesse o quanto há de espera, expectativa,esperança e vontade de muito mais gente do que se imagina, de ter um canal para se fazer ouvir , buscariam ganhar a confiança ,se aproximar desse contingente e liderá-lo de forma a consolidar sua presença no quadro político do país.
Ou, na verdade, ouso considerar, que é justamente o oposto. Nossas “lideranças” política sabem disso tudo que descrevi e, justamente por isso, deixam tudo como está para não perderem privilégios, espaços e benefícios. A questão seria ,então, ah! Se eles quisessem dar voz à classe média. Se o fizerem podem perder a boquinha.
O sistema político brasileiro precisa ser atualizado. A representação, a escolha de lideranças, está anacrônica, viciada. Precisa do oxigênio novo da participação dos interessados que ainda são acusados de omisso e outras coisas.
Diga-me, você leitor, um único nome de candidato neste pleito a cargo (vamos ficar só no Legislativo para não polemizar campanha presidencial) que você entende como uma liderança capaz de representar as aspirações, anseios, desejos, da classe média?
Que silêncio...

 

 

 

 

 



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