| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
22/02/2010
Ressaca Cívica,sonho de carnaval...
Tive a paciência de acompanhar, uma vez que não viajei as transmissões por televisão, rádio, e jornais, das festas de carnaval de São Paulo, Rio, Bahia, Pernambuco e demais regiões que mereceram cobertura de carnaval.
Mais do que propriamente gostar dos chamados festejos de Momo, observei a festança pelo ângulo do civismo, do envolvimento popular, da descontração, do verdadeiro fenômeno que significa essa festa popular. Embora estranhando gostei que tivesse havido, em meios à folia, organizada ou não, jogos de futebol. O fim de semana prolongado foi mais abrangente. Sei que os críticos do calendário do futebol brasileiro, dos horários dos jogos e que gostam também de carnaval, assim como muitos jogadores e técnicos, vão ficar chateados com essa opinião. Minha solidariedade a eles, mas ruim com futebol, pior sem futebol. Quanto ao horário, concordo que os jogos deveriam ser em períodos civilizados.
Voltando ao antes chamado Tríduo de Momo. Está bem diferente dos meus tempos de repórter da Jovem Pan , quando transmitia ,ainda bem jovem, o carnaval de rua da Avenida Ana Neri e do clube Sírio Libanês de Santos. Foi lá que conheci a X9 que hoje tem até uma paulistana. A diferença é compatível com os tempos que vivemos onde a tecnologia, a velocidade da informação e a falta de valores de referência comportamental, geram uma mistura de coisas boas e ruins com as quais temos que conviver.
Sem saudosismo algum, nota-se hoje que o carnaval é mais comercial nos grandes centros. Virou espetáculo de mídia, com mobilização de “celebridades”, de marcas de anunciantes e, claro, o povão que adere. Interessa destacar que, na média, a massa se comporta de forma civilizada. Energúmenos existem, existiram e existirão sempre. Uma coisa ruim, todavia, chamou a atenção. Antes não se fazia xixi na via pública com a desfaçatez que hoje se faz.
O fenômeno cultural do carnaval, talvez social, antropológico ou até psicológico, no fundo, para uma grande parte da população é também o momento de uma parada, ainda no início do ano. Para sorte de muitos políticos que saem das manchetes e azar de outros que passaram esse tempo no xilindró. Coisa rara nas plagas tupiniquins. Tomara vire moda se colocar na prisão os ladrões da coisa pública (“res mancipi”, como se diz nos bancos acadêmicos de Direito).
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