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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

22/12/2009


Natal em SP

 

A cidade de São Paulo, por vocação secular, abre os braços para quem a procura. A grandeza da metrópole de hoje foi construída na saga dos milhões de imigrantes e migrantes que ao longo de sua história para cá acorreram em busca de oportunidade e melhoria na qualidade de vida.

Esta é a minha história, como neto de imigrantes, e tenho certeza, a sua, leitor, que me lê neste momento.
Foi do formidável conjunto de origens distintas, todos unidos na mesma esperança de construir uma vida mais próspera, que surgiu esse verdadeiro coração de mãe que é a cidade de São Paulo, onde sempre cabe mais um e onde as oportunidades são mais presentes.

Certamente essa busca do “Eldorado” trouxe consigo também problemas de grandiosidade semelhante a da própria cidade. O fluxo constante de chegada de novos migrantes e imigrantes, a debandada para a cidade grande que o fim da era do meeiro provocou,esvaziando o campo, e as limitações geográficas aliadas à falta de planejamento e competência em muitos governos municipais, fizeram também de São Paulo parte do inferno que representa hoje para seus moradores e os que ainda chegam com a mesma esperança de encontrar um caminho.

Com a velocidade das mudanças decretadas pelo avanço da tecnologia , com o esgotamento da capacidade da megalópoles de expandir-se de forma ordenada ,sadia, a capital paulista acabou por se transformar num misto de paraíso e inferno.

É nesse purgatório que vivemos todos as nossas alegrias e tristezas de cada ano. Com a proximidade das festas natalinas ressurge sempre o sentimento de fraternidade que desaparece nos primeiros momentos de janeiro do novo ano.

Enquanto dezembro dura, incentivados pelos apelos das vendas e comemoração de fim de ano, o paulistano tenta ser menos exigente com a qualidade de vida que tem conseguido obter.

É evidente que as chamadas classes menos favorecidas –e como elas se multiplicam em nossa cidade- são as que enfrentam maiores restrições, dificuldade em qualquer época do ano. Neste período de Natal, na cidade, muito mais gente vem para a capital em busca de trocos, migalhas, esmolas, o que for possível para melhorar sua penúria. A maioria certamente o faz por necessidade. Muitos o fazem pela “industria” da miséria que arrecada diante da compaixão ou culpa de quem dá esmolas ou oferece nessa parte do ano um pouco mais a terceiros para sentir-se melhor, mesmo não tendo culpa .

Estamos todos nós em busca de paz, de harmonia, de condições materiais e saúde plena.
A cidade não pode oferecer a todos indistintamente o que cada um busca para si.

Neste período do ano os baixos dos viadutos se tornam mini-cidades, conglomerados ou aglomeradas de gente sem as mínimas condições de sobrevivência digna. Insalubridade, muita bebida barata, crianças, farrapos e fogueiras, colocam em risco esses moradores e quem por ali passa.

O natal em São Paulo é belo na decoração, nas luzes, nas grandes árvores e no estado de espírito da maioria. Pobres, ricos ou remediados, se encontram na pausa que o nascimento de Jesus representa no calendário.

A miséria ,seja ela natural ou a construída para explorar ingênuos ,deixa menos brilhante o natal paulistano. Numa estação de fortes chuvas, com inundações e gente desabrigada, as atenções das autoridades ficam pulverizadas diante de tanta demanda.

O Natal em São Paulo é como a cidade. Grande e pequeno. Rico e pobre. Alegre e triste.
E quem reside em outra localidade, no estado ou no país, olha São Paulo com olhos de inveja, cobiça esperança.

O que move o paulistano, há séculos, é seu espírito empreendedor e construtivo, seja qual for sua origem. Enfrentando os desafios.
Boas Festas, leitor.

 

 

 



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