| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
23/02/2010
Porque Lula escolheu Dilma
Quem conhece um pouco da trajetória do ex-operário Luis Inácio, que virou Lula da Silva e chegou ao cargo de presidente do Brasil, sem tirar-lhe os méritos que propulsionaram essa trajetória -há de tê-los- sabe que o verdadeiro “leitmotiv” de sua escalada foi a busca constante do progresso pessoal e a defesa dos próprios interesses. Não há neste enfoque nenhuma outra conotação que não seja a constatatória, baseada no acompanhamento dos fatos, muitos históricos, que cercaram a caminhada até aqui do retirante (milhões de outros ajudaram a construir a grandeza de São Paulo) que foi bem mais longe.
Lula tem muitos e bons méritos. Foi e continua sendo fruto de um momento da vida nacional em que o destino o colocou em meio e depois na frente de um processo político-institucional que permitiu uma fresta por onde sobressaiu: o movimento sindical operário do fim de período militar e início da abertura política do país.
Ele estava lá. Soube surfar na onda histórica que o projetou e, mais um mérito seu, sempre teve intuição e conhecimento de como lidar como os “companheiros”, tendo-os ao lado ou deles se afastando sem feridas irremediáveis, conforme seus próprios interesses. Já na presidência da República usou e abusou dessa experiência para ficar a margem de tudo de ruim que veio com muitos “companheiros” no bojo de seu governo.
Longe da pretensão de ser biógrafo, psicanalista ou conhecedor profundo da figura presidencial, mas com a bagagem de quem além das entrevistas iniciais, acompanha e acompanhou desde o início da década de 70 seu surgimento, posso palpitar entendendo que o PT foi o instrumento que a história pôs no caminho de Lula e era o disponível nas circunstâncias daquele momento para ele perseguir seu sonho de ascensão social, econômica e política.
Sem ter encontrado ambiente favorável, apesar de seu alto índice de popularidade, para mudar a Constituição do país, à la Chaves, para uma nova tentativa de reeleição –seu carimbo de democrático e defensor da alternância que o levou ao poder o aprisiona na necessidade da coerência- Lula, com a experiência de auto-preservação de sempre, buscou alguém para receber seu apoio na corrida sucessória.
Mais do que oferecer seu apoio, elegeu , ungiu, alguém que pudesse significar para ele, a melhor hipótese possível de uma busca de manutenção do poder para si, dentro do grupo de momento de sua confiança.
A escolha de Dilma, nesse quadro, mesmo sem aprofundar a análise, surge como natural para o presidente. Ela mostrou-se competente e fiel nas missões de seu governo para a qual foi designada. Não tem origem nem militância nas hostes petistas tradicionais, portanto, não é elemento de divisão fracionária interna. Não representa ameaça a ele, Lula, pela fidelidade e gratidão da escolha e, se eleita, significará um sossego natural para quem deixou o cargo após oito anos de mandato eivado de denuncias de corrupção e aparelhamento do Estado, sem medo de perseguição ou cobranças.
A questão ideológica, para Lula, é a que parece ser a de menor importância. Com um partido de esquerda, ao qual adaptou seu discurso e o fez adaptar-se (o partido) ao seu pragmatismo- onde o figurino de Dilma permitiu encaixar a imposição da candidata, como se observou no Congresso petista desse ultimo final de semana.
O artificialismo da “aclamação” de Dilma como candidata, a “euforia” dos companheiros com a ex-brizolista, revelam que ela foi engolida pela indiscutível liderança de Lula sustentada por um ibope de popularidade altíssimo.
Já na definição dos temas da campanha e linhas do partido as diferenças intestinas do PT e seus adesistas vão ganhando contornos não uniformes. Será uma jornada de necessidade de adaptações,acomodações.
O que a campanha, com Dilma fora do cargo de ministra, e o resultado das urnas vão dizer, é outra coisa.
|
|
|
|  |
| | |
|