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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

25/01/2010


 

OS BABACAS

O presidente Lula, durante reunião ministerial, semana passada, chamou o presidente do PSDB, senador Sergio Guerra, de “babaca”. O termo deselegante é apenas um reflexo do comportamento sem limites de um governante que se julga acima do bem e do mal. A lei não existe para ele e integrantes de seu governo nem para seus aliados políticos.

Reflete, também, lamentavelmente, a previsão que fiz aqui ainda no ano passado, de que a campanha eleitoral de 2010 seria muito suja, de baixo nível. A corrida eleitoral, nos termos da lei, vai começar somente no mês de junho. Para o presidente Lula, pairando acima da Constituição e do regramento interno do país, essa mesma campanha começou desde que inventou o nome de Dilma Roussef para tentar a sucessão presidencial. Campanha aberta, ostensiva, fundada no erário e apoiada pelo gasto dos recursos públicos em favor da sua candidata.

Nada disso é babaquice. Babaca é quem tem o atrevimento de criticar ou simplesmente não apoiar a genialidade criativa do presidente por força de seu elevado índice de popularidade. Popularidade adquirida graças a um contingente enorme da população, notadamente das regiões mais pobres do país, que recebe a chamada bolsa família de onde tira o pouco que a mantém e ao mesmo tempo escraviza pela dependência não percebida, gerando simpatia pelo governante.

Na realidade política brasileira, é preciso dizer em nome da verdade, raros são seus militantes que escapam de se enquadrar na pecha de “babaca”. Imagine-se que o presidente quis dar ao terno o significado de “fora da realidade”. Seria avançar demais supor que o emprego fosse na conotação de “imbecil”, “idiota”, ou outra interpretação que se queira dar. O enquadramento poderia ser generalizado o que implicaria numa enorme injustiça com dois ou três de nossos gloriosos políticos que ficam de fora, não são “babacas”.

Até como forma de consolo e apesar da amizade íntima demais de Lula com o Chapolin Colorado Chaves, é preciso admitir que as coisas por aqui poderiam ser pior se nosso grande líder levasse a sério o tal do bolivarianismo, seja lá o que isso queira dizer. Mas é covardia comparar o que acontece na Venezuela com o Brasil. Chaves vai cair de podre qualquer hora. (Segundo ele o terremoto no Haiti foi provocado por uma bomba subterrânea explodida pelos Estados Unidos).

Sem dúvida é o babacão-mór. Mas, voltemos aos assuntos tupiniquins.

A campanha eleitoral deste ano, posta na rua de forma ilegal e gastando dinheiro público –como se alguém se importasse, por isso Lula faz- vai ser, repito, uma baixaria só, polarizada entre o presidente Lula querendo provar que é melhor que Deus, aliás, é Deus, carregando no colo a candidata simpaticíssima que inventou, e o PSDB do outro lado, com tudo que não sabe fazer de oposição.

Isso vai se refletir nas disputas pelos governos estaduais e pelas cadeiras legislativas em jogo.

Sorte nossa –e acredito nisso- que as instituições democráticas estão fortalecidas e sobreviverão com mais músculos e cérebro, ao final do embate. Ainda que os radicais anacrônicos do governo estejam buscando eliminar mecanismos da sadia liberdade constitucional brasileira.

A caminhada para a maturidade total do Brasil, política, econômica, social, educacional, é longa, árdua, penosa, por causa de todos os babacas, mas ela é irreversível. A camada pensante da população, a que paga as contas dos babacas, via impostos recolhidos, que sustenta as bolsas-demagogia, que mantém o país produzindo e crescendo, precisa estar consciente de seu efetivo papel nesse quadro e deixar de lado os imediatismos para investir, entendendo o presente, na consolidação sustentável do país, por conta de sua própria grandeza e não pelos passes de mágica dos babacas de plantão.

 

 

 

 



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