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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

30/08/2010

 

 

A ENORME DÍVIDA DOS PARTIDOS POLÍTICOS


O verdadeiro festival de horrores que se assiste no horário eleitoral gratuito da televisão é de responsabilidade dos partidos políticos brasileiros. Sabe-se que os partidos políticos, em nosso país, são um festival de disputas pelo controle do democrático meio de chegada ao poder público e, por conseqüência, à possibilidade de administrar ou manipular a fabulosa quantia de dinheiro que se torna público na arrecadação escorchante de impostos, taxas, tarifas, com as quais esse mesmo poder público constrange as forças produtivas do país, sejam pessoas físicas ou jurídicas.

Em outras palavras, os partidos políticos que deveriam ser os instrumentos de representação de correntes de pensamento e ações programáticas de governo, são feudos familiares e de grupos, unidos ou em disputa entre si, destinados a obter o mais volume possível de vantagens advindas das vitórias eleitorais e traduzidas em benefícios aos controladores desses partidos e os eleitos pelas respectivas siglas.

Em outras palavras, ainda, os partidos políticos brasileiros que deveriam ser instrumentos legítimos de chegada ao poder para aplicação de políticas públicas e programas de governo consoante seus estatutos e linhas de ação, são meros veículos eleitorais fechados, de mínima participação popular na definição de seus destinos, controlados a mão de ferro e sem nenhum compromisso com a verdadeira representação de seus princípios e valores.
O que se observa e isso se estende a todos, é que lançam mão, em vez de formar, de preparar, quadros saudáveis, competentes, com conteúdo, de celebridades extemporâneas, anacrônicas, ex-esportistas em fim de carreira, artistas populares decadentes ou desaparecidos, mas ainda com memória popular, figuras folclóricas, pessoas sem nenhum senso de ridículo ou capacidade de atuação política e, debochados, gozadores desprovidos de noção de comprometimento, e, também, desesperados em busca de uma salvação nas folhas de pagamento do serviço público.

Existe de tudo em termos de candidatos. Em meio a essa verdadeira turba, um festival sem fim de boçalidade, os bons, os capazes, os candidatos que podem ser de fato representantes da vontade política dos brasileiros. ficam escondidos na mediocridade reinante, deixando ao eleitor a visibilidade de opções que fazem chorar quem tem um mínimo de capacidade de discernimento.

Os partidos políticos que deveriam formar bons candidatos, buscam no imediatismo da caça ao voto de legenda e sustentação, candidatos sem nenhum critério até de senso de ridículo, ofendendo a inteligência dos eleitores e a própria consolidação da vida democrática brasileira, por avacalhar com a figura do representante popular.

Alguém vai lembrar que se trata de um simples retrato da própria realidade brasileira. Sem duvidas isso é uma grande verdade. Torna-se, todavia, um motivo relevante a mais para que os partidos políticos buscassem investir na formação de candidaturas com conteúdo, consistentes, capazes, em vez de se socorrerem no desespero, na ânsia do voto fácil, atrás de palhaços, artistas de duvidoso gosto popular e todo um rol melancólico do que há de mais constrangedor em termos de desfile humano.

E a propaganda dos partidos no rádio?

Deixei de ouvir. É bestificante. Trata de forma homogênea todos os ouvintes como imbecis de carteirinha.
Devemos ser.

 

 

 



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