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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

31/05/2010

 

 


A COPA E POLÍTICOS GOVERNANTES

 

Os mais idosos recordam que o presidente JK lançou a moda de receber,antes da ida ou na volta da Copa do Mundo, a delegação brasileira de futebol. Certamente havia um bom motivo. Em 1958 o Brasil conquistou pela primeira vez o título de campeão mundial. A memória da tragédia de 1950 ainda estava viva no coração nacional.
A primeira conquista nunca se esquece. No caso do futebol nem a segunda, a terceira,a quarta e a quinta, enquanto se espera pela sexta.
A empolgação do então general presidente Emilio Garrastazu Médici, em 1970, pela conquista do Tri (em 62 Jango também brindou a delegação pelo Bi) ficou famoso. Medici era de ir aos estádios com radinho de pilha colado ao rosto para ouvir a transmissão. Uma faceta explorada então para humanizar a figura presidencial num regime de excessão.
Fernando Henrique teve o benefício do penta quando estava no Planalto. Não se estudou ainda se a visita ficou mais famosa do que a cambalhota de Vampeta na rampa do Planalto.
São apenas alguns exemplos de envolvimento ou tentativa de dar aos políticos governantes de plantão um pouco de visibilidade simpática aos associá-los a jogadores de futebol campeões do mundo ou em busca de sê-lo.
Não está sendo diferente desta vez. Ou melhor. Está um pouco diferente. Como tem se revelado característica de tudo que é tocado pelos petistas no poder, a aproximação entre o partido do presidente Lula e o presidente eterno da CBF, Ricardo Teixeira, tem interesses além da conquista possível do hexa campeonato.
Todos sabem por exemplo, que Lula é corintiano. Todos sabem que o presidente do Corinthians, Andres Sanches é petista e ficou amigo de Lula. E todos sabem também que a CBF está sempre próxima do poder. Portanto, no momento atual, é lulista.
Não foi por mero acaso que Ricardo Teixeira e ,certamente, com a aprovação de Lula, Sanches foi indicado chefe da Delegação brasileira que já está na África. Com todo respeito, mas lembrar que o comandante de 1958 foi Paulo Machado de Carvalho, deixa um vácuo de carisma,organização e condição intelectual sem comparação.
No mesmo raciocínio cabe lembrar que o atual chefe da delegação brasileira é o mesmo que impede seu time de jogar no estádio do Morumbi e o mesmo que,com a CBF, nos bastidores,tenta inviabilizar o mesmo estádio para ser o palco de abertura da Copa em 2014,na esperança de construir (com apoio de quem?) um local para sua equipe que viria a ser essa sede.
Está tudo um pouco nebuloso na informação pública,mas nos bastidores, sabe-se que o jogo político é intenso.Os mais fanáticos dizem que tudo que Sanches desejaria era ser um presidente com status de presidente do São Paulo. Como sou tricolor e meus leitores sabem disso, deixo de lado essa consideração por falta de sustentação e por respeito aos corintianos.
Fico,então , na expectativa de que o Brasil ganhe novamente a Copa para ver ,na volta qual vai ser o envolvimento do Planalto e de que maneira os petista,incluindo Sanches, vão tentar faturar para Dilma a conquista.
Caso esta não ocorra –isola- contra a vontade de todos os brasileiros, também será interessante observar qual será o afastamento , ou melhor,o mesmo comportamento para não respingar na candidatura oficial.
E que venham as críticas. Mas, que além de toda picuinha política, que venha o hexa.

 

 

 

 



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