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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

 

AINDA SOBRE OS DIREITOS HUMANOS

 

Semana passada saiu em Londres o Relatório Anual da Anistia Internacional. O coordenador para assuntos brasileiros, Tim Cahill, concedeu entrevista para o UOL Notícias, onde entre declarações ele diz que “existe um conceito infeliz no Brasil de que os direitos humanos só defendem bandidos”. Indo além, o grande especialista em Brasil assinala que “esse conceito de que só os bandidos são beneficiados é popularizado e utilizado por pessoas que tem interesse em mantê-lo. Com isto, várias ações governamentais no Brasil acabam sendo executadas para satisfazer aqueles que não acreditam nos direitos humanos”.

Segue o ilustre conhecedor da alma do povo brasileiro: “isso ajuda na justificação de adotar políticas de comportamento repressivo, como as mega operações no Rio de Janeiro ou a idéia de que os índios ameaçam os interesses econômicos do Mato Grosso do Sul. Se a população percebesse que se todos tivéssemos os direitos humanos garantidos a economia e a segurança, por exemplo, seriam melhorados”.

Bem, como sou um brasileiro que mora no Brasil,vive em São Paulo, trabalha,aprende, ensina,educa e tenta praticar ações de cidadania e respeito ao ser humano, não tenho competência para analisar o que um inglês especialista em Brasil afirma.

Conheço um pouco, todavia, desse tipo de discurso utilizado para arrecadar fundos de “humanitários” e garantir que pessoas com o “coordenador para assuntos brasileiros” mantenham seus empregos. Não vou mencionar “boquinhas” por ausência de maiores elementos sobre as atividades do Mr.Cahill. E porque como respeitador dos direitos elementares de liberdade de expressão, entendo que ele pode falar a abobrinha que quiser, ditando cátedra num discurso envelhecido e que só encontra eco nos Chaves da vida (de todo modo,seja o da televisão ou o do país vizinho a noroeste,protagonizam palhaçadas em nome do povo).

Sou obrigado a confessar ao amigo leitor o quanto ando cansado com esses argumentos de gabinete que ainda buscam traçar uma linha divisória entre quem é a favor ou contra os direitos humanos, ainda que o conceito abrangido nessa definição seja de uma amplitude que o permite ser utilizado da forma como desejar o declarante. Não vamos tirar o mérito de entidades como a que Mr.Cahill representa como “coordenador para assuntos brasileiros”. O problema é que os chavões, bordões e estudos nos quais baseiam suas declarações, essas sim, infelizes,não se renovam, estagnaram na falida doutrina marxista e buscam manipular a realidade do cotidiano dos milhões de habitantes de um país que formam a maioria que o sustenta, para jogá-los na vala comum dos que “têm interesses em dizer que os direitos humanos são só para bandidos.”

Frequente Mr.Cahill as favelas cariocas, ou paulistas ou qualquer uma e veja o que o crime faz por lá antes de citar frases feitas. Nem vou por essa linha de argumento porque ela também é velha e o mundo precisa de oxigenação em seus conceitos e práticas de convivência do ser humano.

Por este mesmo motivo não lembrarei a Mr.Cahill, ardoroso defensor dos direitos humanos no Brasil (ao menos do que ele considera que são), o que o seu país-berço, fez mundo afora na era das colonizações, do império britânico. Como os norte-americanos fizeram com as nações indígenas de seu território e ainda fazem em Guantánamo.  Hoje, posam todos de juízes dos direitos humanos, notadamente em países pobres e emergentes, como se a base de afronta aos direitos humanos passasse ao largo do que fazem. Eles podem,ainda.

Mr.Cahill citou ainda milícias, dizendo que “elas estão até elegendo deputados estaduais e ameaçam a vida dos moradores e a estrutura do estado democrático”.

Impressionado com o conhecimento que o ilustre especialista em Brasil tem de nossa realidade, ouso propor sua imediata adoção da cidadania brasileira, uma mudança na Constituição, e sua candidatura à presidente da República. Que Lula, que Serra, que Dilma, que Aécio, que nada.

E eu ainda perco tempo meu e do leitor com o assunto.

É que não agüento mais mistificação. Basta a interna. E, claro, sou um anti-brasileiro que não defende direito algum de ninguém, como você,caro leitor....