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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

01/12/2009



Sair de fininho...da sinuca de Honduras



Há controvérsias, como diz o bordão televisivo sobre a atuação no cenário internacional do governo Lula. Muitos acham que o Itamaraty, na atual gestão, atrapalhado pela eloqüência socialista-superada do assessor especial Marco Aurélio Garcia e pelas influências que o chanceler Amorim, recebe dentro do ministério, transformaram a política externa brasileira num festival de trapalhadas.

Outros, otimistas por natureza e ainda tentando manter alguma situação de respeito aos desmandos planaltinos, alegam que nunca o Brasil esteve tão conhecido e envolvido no cenário mundial, numa posição de relevo.

O leitor pode e deve julgar por si mesmo e a opinião do colunista e sobejamente conhecida. Se alguém precisar de uma direção a seguir, basta ver para onde Garcia aponta e tomar a direção oposta.

Na questão de Honduras o Brasil enfiou-se numa saia justa sem tamanho. Proporcional, em sua tolice, à capacidade que as viúvas do socialismo não têm de entender que o Muro de Berlim caiu há duas décadas.

Insuflados pelo fanfarrão Chaves, que faz de seu homônimo da programação do SBT parecer um bufão sem graça, os adeptos da causa bolivariana (seja lá o que isso queira dizer) deixaram que a embaixada do Brasil em Tegucigalpa fosse transformada num picadeiro. Apostaram todas as fichas no viés ideológico ultrapassado e além de acolher o presidente deposto pelo Supremo daquele país por tentativa de violar a Constituição, saíram proclamando alto e bom som que o Brasil não reconheceria o governo eleito nesse ultimo domingo em Honduras.

Como a comunidade internacional, apesar do baixo comparecimento dos eleitores, está validando a legitimidade do pleito e Honduras vai ter, já tem, um novo presidente eleito pelo povo, a posição brasileira, contraria à dos Estados Unidos que reconhece a validade da eleição, vai se esvaziando. Obriga integrantes do governo Lula ainda não contaminados pela subjetividade obtusa do Itamaraty neste caso, a sinalizar ao presidente que nosso país acabará isolado, falando sozinho, se persistir em ser o avalista de uma encrenca arrumada por Chaves e na qual a ala viúva do socialismo liderada por Garcia no governo Lula embarcou.

A forma clara e aparentemente saudável como a eleição foi realizada, no entender dos especialistas internacionais, entre os quais não se encontram os nossos que de especialistas têm apenas a cor ideológica, deve dar o encaminhamento para a volta à normalidade constitucional naquele país. Inclusive, hoje, pode ser votada uma anistia a Zelaya para que tudo possa acabar, no estilo brasileiro, em pizza.

Esse capítulo da historia daquele país precisará ser analisado mais à frente, fora das luzes e do calor dos fatos de agora. A história, mais à frente, terá condições de avaliar quem foi de fato o mocinho e quem foi o vilão nesse bang bang B não produzido em Hollywood, mas em Caracas.

O mais importante é o Brasil retomar sua tradição de país neutro, conciliador e justo, deixando de lado a nódoa (mais uma) da atual política externa e passar a avaliar o quadro sem paixão de partido.

Além disso, ainda, está aberta a possibilidade Honduras retomar sua normalidade democrática. Quem quer poder eterno na América do Sul precisa saber que no grito, na propaganda falseada, não se ganha mais o poder.
Distrito Federal

E o governador José Roberto Arruda, hein?
Impressionante. O golpe no DEM é muito forte.