| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
AGOSTO...
Perspectivas para este mês de agosto:
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O presidente do Senado José Sarney perdeu semana passada o apoio explícito do presidente da República em sua luta de resistência contra todas as acusações e denúncias que pesam contra si. Se até o presidente Lula está abandonando o barco, depois de tanto ter se desgastado fazendo defesas indefensáveis de Sarney, é sinal de que no mês do cachorro louco o presidente do Senado pode não se segurar no cargo. Já se notam no carpete azul da Casa os riscos provocados pelos dedos que tentam se segurar enquanto o senador é puxado pelos fatos.
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O "ditalouco" da Venezuela como todo respeito àquele país e seu povo, vai acabar conseguindo o que parece tanto desejar: uma guerrinha externa para justificar sua necessidade de escalada militar e possível união interna. É capaz até de ter sonhos expansionistas. Mirar na Colômbia pode acabar acertando no Brasil, pelas proximidades das fronteiras. Como O Itamarati, por conseguinte, o governo brasileiro, faz mesuras para todos os vizinhos co continente, com concessões comerciais, políticas, é capaz de no mês de agosto acabar apoiando a insanidade bolivariana (seja lá o que isso queira dizer) de Hugo Chaves. Em relação à presença de norte americanos na Colômbia o Brasil vacila entre criticar (Obama disse que Lula é o “cara”) e apoiar ou fingir-se de morto. Não será surpresa se estourar uma guerrinha idiota no noroeste da Sudamérica.
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Como a legislação pena brasileira é arcaica, tíbia, fraca, nesse mês de agosto a título de cumprir a lei é bem capaz que criminosos de alta periculosidade acabem ganhando as ruas, de um jeito ou de outro, nessa disputa sem sentido entre estados e poderes para ver se ficam neste ou naquele presídio. Há até possibilidade de aquela moça que matou o pai e a mãe friamente, com o auxílio de dois irmãos cúmplices, ganhar liberdade, beneficiada pelo regime semi-aberto, excrescência do direito pátrio que privilegia criminosos. A desmiolada mata a mãe, o pai, fica um par de anos presa e depois volta à vidinha como se nada tivesse acontecido. Isso ocorre aos borbotões por aí na vida da “justiça” nacional. Depois não se sabe por que aumentam os índices de criminalidade.
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Os políticos, governante e altos funcionários em geral, do poder público, e mesmo os maus empresários que buscam viver das gordas tetas do erário, devem por as barbas de molho pelo simples fato de ser agosto.
Tem mais, mas algumas citações bastam para mostrar as perspectivas. Existem meios de desmistificar as superstições da vida nacional. Defendo muito o investimento maciço na educação. E não posso deixar de apoiar publicamente os argumentos de Roberto Fendt, nas páginas deste Diário do Comércio, na sexta-feira passada, quando sob o título “Por um choque de qualidade na política”, assinala, entre outras verdades, que o conhecimento puro e simples do que fazem os políticos não melhora a qualidade da representação democrática nem a qualidade da gestão do Executivo.
Está em cheque a qualidade de nossa representação política.
Lamentavelmente constato, com o passar dos anos, e não me canso de repetir, para aliviar o constrangimento, o ensinamento do jornalista Ricardo Sergio Mendes, nos idos dos anos 70, início de minha carreira como jornalista político, quando visionariamente ele dizia ao ouvir alguém reclamar da qualidade da representação política: “não se preocupe... a próxima Legislatura vai ser pior do que a atual...”.
Agosto ainda é mês de políticos colocarem as barbas de molho... como se dizia antanho.
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