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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

 

CAMPANHA NECESSÁRIA

 

É sabido que toda crise trás em si oportunidades. Esse dito popular é citado com freqüência em períodos considerados anormais, onde as relações sejam elas políticas, econômicas, sociais, apresentam distorções.

No Brasil a palavra crise é quase uma constante. Flutua entre as situações, muitas vezes ocorre simultaneamente em todas elas e ora é política, ora econômica, ou social. Mas, é difícil passar uma semana sem que a palavra seja repetida nos meios de comunicação.
Em meio à crise econômica mundial, que alcançou o Brasil com menor intensidade desta vez, vivemos uma crise política que não pode evoluir para se tornar institucional. A percepção pública em face de todas as denúncias e escândalos que vêm à tona na vida política nacional, expondo as vísceras podres do poder público, notadamente, no momento, do Congresso Nacional, num revezamento entre Câmara e Senado, é de exaustão total do modelo representativo. Não pode e não deve ser essa a visão a respeito.

Por todos os motivos que determinam as mudanças de eras, de fases, nosso país se encontra em plena travessia. A realidade ainda latente é que estamos vendo minguar, morrer, a fase coronelista de dominação oligárquica nos postos de comando da vida brasileira.  O barulho que se ouve, as ações que se tomam resultado da agonia da oligarquia Sarney, cujos métodos de operação expostos à luz do dia chocam o país, são os resquícios de um final de era que fará com que os Sarneys, os Calheiros, os Barbalhos, os Fulanos e Beltranos que sempre moldaram os interesses públicos aos seus particulares, comecem a ficar para trás, superados pelo tempo e pela tecnologia.

Isto não elimina a possibilidade de surgimento, com as novas ferramentas, de outras formas de oligarquia de dominação. Pode ser a partidária, como o PT tenta se eternizar no poder pelo aparelhamento do Estado pode ser pelo manuseio inteligente da multimídia que começa a escravizar os hábitos humanos, pode ser pelo surgimento de novas técnicas, as mesmas que estão tornando os antigos coronéis peças de museu.

O editorial da revista Veja deste último final de semana, “O fim que deveria ser começo”, menciona na defesa da tese de que medidas são necessárias para mudar os maus hábitos, alterações necessárias nas regras de funcionamento do parlamento brasileiro. Pede literalmente vergonha na cara para nossos parlamentares e cita exemplos de ações que se fazem imediatamente necessárias.

É preciso, além do que com clareza e acerto defende a revista, que todos os meios de comunicação do país se engajem numa campanha de defesa das instituições democráticas exatamente contra aqueles que, eleitos pelo voto popular, desvirtuam seu papel e conspurcam contra o povo brasileiro. É preciso formar uma nova mentalidade, à semelhança do que na iniciativa privada se consagra como governança corporativa, de gestão da coisa pública.