| |  |  | Paulo
Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado
em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor
universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidades
como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos,
associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e internacionais.
Palestrante, escritor. | 
A Guerra do Paraguai
Faz pelo menos duas décadas que coleciono tudo que encontro ou me cai nas mãos referente à Guerra do Paraguai. Possuo hoje uma bibliografia a respeito que conta, inclusive, com copia xerografada da Biblioteca Nacional de Assuncion, de diário não editado de um general de Solano Lopes que sobreviveu ao capítulo final do conflito em Cerro Corá.
Tenho a pretensão de, um dia, assim como já escrevi romances de ficção histórica sobre a viagem de Cabral (1500, A Grande Viagem) e sobre a invasão holandesa em Pernambuco (Moura Louca), discorrer de forma romanceada sobre este ainda nebuloso episódio bélico (o único de peso) da vida brasileira.
Por estas razões li com muito interesse artigo do deputado federal Aldo Rebelo intitulado “Guerra e Paz com o Paraguai”, publicado no Estadão do dia primeiro de maio passado(página A2). Não me considero além de um curioso sobre o assunto, mas posso concordar ou discordar de quem a ele se refere porque as bases de consulta e análise não são muito diferentes em face da tímida divulgação que se fez e faz a respeito da chamada Guerra do Paraguai.
O deputado Rebelo, em síntese, comenta a proposta de deputados paraguaios do Parlamento do Mercosul para a criação, pelos países envolvidos no conflito (Brasil, Argentina e Uruguai, na Tríplice Aliança, e Paraguai) de um Memorial dessa guerra. Rebelo concorda com o mérito, mas repele de saída a argumentação dos paraguaios quando falam de “genocídio levado a cabo contra o povo paraguaio”. Estende sua opinião criticando as análises que se fizeram até aqui, sempre buscando por óticas divididas dar uma versão à história e enfocando o passado pelas luzes do presente. Enfatiza o ditado: “na guerra a primeira vítima é a verdade”.
É extenso e bem construído o artigo do deputado brasileiro. Ponderado, de bom senso, na busca de uma reconstrução da verdade histórica, deixando de lado as versões e ideologias contidas nas narrativas existentes, lembrando que a historiografia ainda tem um longo caminho a percorrer. Documentos ainda devem vir à luz em todos os países envolvidos. Minha opinião.
Aliás, meu modo de ver a guerra, depois de tudo que já consegui pesquisar, ler, ponderar, coincide, nessa busca pela verdade, com os argumentos apresentados por Rabelo. Devemos honrar os envolvidos no conflito, buscando suas causas e motivações e passando pelo que de fato aconteceu durante todo o período da guerra (1864-1870). Sem exacerbações, apenas na busca da verdade.
Devo confessar aos meus leitores de quase trinta anos nestas páginas do DC que um dos motivos que me impediu até agora de escrever o pretendido livro, embora já tenha um esboço mental a respeito, é a dificuldade de acreditar onde está a verdade em cada palmo percorrido dessa guerra.
Ela acabou sendo manipulada, em tempos onde o conflito entre o capitalismo e o socialismo prosperava, por autores de uma ou outra simpatia, cujas versões, glórias e fracassos acompanhavam a crença ideológica de cada um.
Talvez ainda seja cedo para passar a limpo a guerra, com o envolvimento do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, voltados apenas para a busca histórica, sem medo de fantasmas, derrotas ou vitórias, sejam no campo de batalha ou na luta ideológica da motivação e razões dessa luta. Feridas latentes podem sangrar, ainda que quase um século e meio já tenha se passado.
Sou particularmente favorável a que se abram todos os registros, versões, documentos e se exponha à luz da cruel verdade o que de fato se passou, sem paixões ou torcidas como se tivesse sido uma competição esportiva. Foi muito mais do que isso e definiu o rumo dos países envolvidos em suas capacidades militares, econômicas, sociais e até de consolidação como países.
Embora muitas vezes discorde de posições do deputado Rabelo, recomendo aos meus leitores que tomem conhecimento desse artigo, ao menos os que ,como eu, gostam de perseguir a verdade, esteja ela onde estiver.
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