LIVROS
PUBLICADOS










 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

 

País de Loucos.Loucos?

 

Reproduzo abaixo o que recebi de um leitor sob o título “curiosidades de um país de loucos”. Comento em seguida.

“Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata!

Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa, do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.


Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda um regimento de blindados.

Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro de um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

 Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.


 PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM CHOQUE DE MORALIDADE,  NOS TRÊS PODERES DA REPÚBLICA, ESTADOS E  MUNICÍPIOS, ACABANDO COM OS OPORTUNISMOS E CABIDES DE EMPREGO. “OS RESULTADOS NÃO JUSTIFICAM O ATUAL NÚMERO DE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, ESTADUAIS.”

Vou concordar com muitas coisas e discordar, ou, complementar, outras. O leitor se esquece de incluir os vereadores. Milhares e milhares espalhados literalmente em todos os municípios do Brasil. E ainda estão aumentando o número de vereadores por município.

Foi limitado e modesto, também, o leitor, ao assinalar apenas estes exemplos. A situação é muito pior, inclusive, porque as “caixas pretas” das remunerações do Judiciário, no Executivo, nas Assembléias Legislativas e nas Câmaras Municipais escondem farisaísmos mais eloqüentes. Pelo menos o leitor mencionou os três poderes, o que torna seu desabafo menos incompleto.

A prefeitura da cidade de São Paulo teve a coragem de abrir as folhas de pagamentos a ela vinculadas. Todos deveriam abri. E abrir também os contratos de prestação de serviços, todos os valores pagos a pessoas físicas e jurídicas com dinheiro do contribuinte. O detentor do cargo de poder, na esfera pública, tende a achar que o dinheiro do erário é dele. Por isso enfia a mão sem dó, gasta sem nenhum constrangimento e distribui fartamente a afilhados e apaniguados. Mesmo com os percalços de nossa tíbia legislação. Além de sua fragilidade, esta ainda beneficia o infrator.

Feita a contribuição, falta ainda assinalar que não somos capazes de imaginar a quantidade e volumes de furos nos controles dos cofres públicos, que levam ao desvio e vazamentos que beneficiam milhares em detrimento dos milhões de brasileiros.

Quanto maior a verba envolvida e alvo da cobiça, menores os mecanismos de controle. Quanto menor a verba, mais se tenta mostrar controle, exigência, probidade.

Brasil sonolento. Brasil ignorante. Brasil que não pune, acolhe e acaricia quem contra ele atenta.

País de tudo que possa imaginar. Jamais de loucos. De espertos, isso sim, que se prevalecem da ignorância, da ingenuidade, da bondade, da massa manipulável. Espertos que no fundo não passam de ladravazes impunes.