OS “TOLOS” DA INTERNET
Vou confessar ao amigo leitor: fico pasmo com a quantidade de emails que recebo contendo mensagens enganosas onde os remetentes tentam se fazer passar por bancos, órgãos públicos, Poder Judiciário, e por aí afora. Buscam sempre esses remetentes, autênticos estelionatários, ladrões vulgares (ou sofisticados, sei lá) de informação pessoal para uso criminoso, iludir o usuário da internet a abri determinados arquivos, baseados numa mentira ou ameaça falsa.
Como já existem na Polícia e no Ministério Público áreas especializadas em crimes na Internet, penso que as autoridades devem estar de olho nesse picaretas da informática, assim como perseguem “hackers” que se infiltram ilegalmente em sites de terceiros, combatem doentes pedófilos e outros malfeitores de um instrumento que deveria estar somente a serviço do bem.
A “sorte” dos usuários bem intencionados, das pessoas que se utilizam dos serviços efetivos que a Internet presta, é que esses, repito picaretas, bandidos de oportunismo na exploração da boa fé dos ingênuos, na maior parte das vezes, não sabe escrever o português correto, sem mencionar a redação medíocre.
Vejam o texto que reproduzo como recebi:
(Insígnia da Polícia Federal copiada, em cores)
Delegacia de Polícia
Departamento de Investigação a Crimes Virtual
Prezado (a) Senhor(a):
Através do novo sistema de investigação e monitoramento virtual, verificamos que, o endereço IP, utilizado por sua máquina, acessou um site de conteúdo ilegal, segundo a nossa Constituição Federal, através do nosso Código Civil.
Precisamos que o fato venha a ser esclarecido o mais rápido possível, caso não seja esclarecido em até 48 horas, será aberto um inquerito judicial.
Veja o relatório completo da investigação, e entre em contato o mais rapido possivel, para o devido esclarecimento do fato.
RELATÓRIO8573-2009.ZIP(260k)”
Quem entra nesse relatório abre espaço para os invasores se infiltrarem na máquina do tolo ingênuo e roubar-lhes senhas, códigos, sua privacidade, sua vida.
Atente para um detalhe, leitor : “acessou um site de conteúdo ilegal,segundo a nossa Constituição Federal, através do nosso Código Civil”... É uma ofensa, uma agressão, ao estudante de direito do primeiro ano, calouro, careca, patético em sua pose, mas que jamais faria uma mistura tão ignorante.
Veja esse outro detalhe: “Departamento de Investigação a Crimes Virtual”.
Sem comentários, aqui. Como na ausência de acentos.
Assassinaram também a última flor do Lácio, inculta e bela.
(A expressão "Última flor do Lácio, inculta e bela" é o primeiro verso de um famoso poema de Olavo Bilac, poeta brasileiro que viveu no período de 1865 a 1918. Esse verso é usado para designar o nosso idioma: a última flor é a língua portuguesa, considerada a última das filhas do latim. O termo inculta fica por conta de todos aqueles que a maltratam (falando e escrevendo errado), mas que continua a ser bela.) Extraído da Internet.
Essa é a sorte dos desprotegidos internautas que são potenciais vítimas desse tipo de estelionato (essa é a tipificação? 171 do Código Penal?). Geralmente os textos falsos são ridiculamente formulados, mal escritos, mas podem impressionar pessoas desprevenidas.
Dei um único exemplo. Há dezenas, centenas. Os de bancos falsos, numa imitação dos logotipos dos existentes, chegam aos borbotões. Não sou cliente da Caixa Econômica Federal. Por nenhuma outra razão que não a praticidade de ser cliente de banco que está mais próximo. O que recebo, todavia, de comunicado da “direção de atendimento ao cliente” dessa instituição, para, imediatamente, baixar novos programas de segurança ou bobagem semelhante, é uma fartura.
Sou o sujeito mais sortudo da Terra. Recebo mensagens que me comunicam eu ter sido escolhido, sorteado, destacado, para receber desde terrenos em condomínios à margem de represas, até loterias desconhecidas no país ou no exterior, todo dia.
Nem vou mencionar, por tolice absoluta, os emails que forçam algum tipo de inexistente intimidade, enviando fotos, referindo-se a artistas ou encontros, que podem despertar a curiosidade do incauto. (incautoadj (lat incautu)
1 Que não é cauto; sem cautela.
2 Crédulo, ingênuo.
3 Imprudente. sm Aquele que não tem cautela.) (Extraído do Dicionário Michaelis, via Internet)
Agora, se todos esses emails existem é porque existe também quem neles caiam, respondam, propiciem a oportunidade para o golpe.
De todo modo, além e mais do que alertar as autoridades, alerto o leitor, embora eu saiba que pelo seu nível isso é desnecessário. Serve, então, para lembrar o leitor de difundir o alerta, contra a picaretagem. Mais uma no Brasil varonil.