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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

 

A SOCIEDADE ESTÁ DOENTE

 

Gostaria de saber qual foi a sua reação, leitor, ao ver e ouvir, pela televisão, semana passada e, ainda, ler nos jornais e revistas, os “ensinamentos” de um criminoso, transmitidos a duas crianças (filho e sobrinha) em fase ainda pré escolar, sobre como abordar, intimidar, assaltar e agredir a coronhadas uma pessoa. A mulher do bandido, mãe e tia das crianças, na mesma informação, era mostrada sendo presa também por ação criminosa.

A minha reação foi de desalento. Nem tanto pelo nível de ousadia e transgressão a que chegaram os criminosos, mas muito mais pela absoluta falta de discernimento e pela decadência moral de “brasileiros” envolvidos com a atividade criminosa e que formam suas crianças, tirando-lhes desde cedo qualquer chance de sucesso na vida, na escola do crime.
A sociedade brasileira ,ao menos no que aparenta, está doente. Se o que ela é capaz de transmitir como valores às suas crianças é o que revelou o criminoso professor, estamos caminhando para uma corrosão total do tecido social que já anda apodrecido.

Certamente não se pode generalizar a partir de um ato de insanidade como o revelado de público, filmado pela própria mãe, depois presa, como se fosse uma inocente festinha infantil para a recordação familiar. Trata-se, todavia de um significante exemplo de como os valores e a moral estão distorcidos no país. Seria fácil demais também atribuir a culpa ao governo, aos políticos, aos dirigentes públicos e aos maus empresários que agem em conluio com servidores para assaltar os cofres públicos.

Quem, todavia, em suas faculdades mentais normais, pode achar que a repetição exaustiva de escândalos, denúncias, corrupção, nepotismo, fisiologismo, toda sorte de desvio de dinheiro público, não influi na decadência dos valores que constroem e sustentam uma sociedade sadia? Quando o governante máximo do país minimiza ações de seus pares que atentam contra a ordem estabelecida e vazam os cofres do poder público, sem constrangimento, o que se pode esperar de “brasileiros” de mente fraca, criminosos natos ou por circunstância, quando decidem por meio da violência e da transgressão tomar o que não lhe pertence nem foi fruto de seu trabalho honesto? Pior ainda, ensinando brasileiros a andar na linha do crime, condenando-os a morrer precocemente numa bala da polícia ou quadrilha rival?

O que se pode esperar é o agravamento da doença que encontrando tecido permissivo se alastra pela falta de remédios adequados para combater o mal. A situação tende a piorar quando movimentos políticos subversivos sob o manto de serem sociais ensinam e praticam também a transgressão; quando o dinheiro público é desviado para sustentar ações de interesse de grupos e para financiar campanhas eleitorais, ou, ainda quando as lideranças políticas do país estão se lixando para a opinião pública.

Como você, leitor, cria seus filhos? Que valores lhes transmite?

A falta de exemplo que venha de cima, da mídia de massa, a degeneração de valores, e o conflito decorrente dessa divisão, agravada, ainda, agora, pela tentativa em curso de se criar no Brasil a divisão racial, ó ódio étnico, sob auspício do próprio governo e seus maus conselheiros, vão nos conduzir a que porto inseguro, além do que já está?

Que lideranças políticas no Brasil de hoje são capazes ou têm liberdade de poder assumir essas bandeiras e catalisar o apoio do eleitorado em nome da moralidade? Quem assume isso sem medo de patrulhas, de acusações ou sem ter rabo preso?

Quem?

Hã? Ah!...Ninguém...

A sociedade brasileira está doente, sem remédio e sem médicos.