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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.



TIRO NO PÉ DO MST

 

Parece que finalmente os infratores do chamado Movimento Sem Terra, para quem a lei inexiste e suas manobras políticas estão acima do bem e do mal, deu um tiro no pé.

A invasão da fazenda produtiva da Cutrale teria sido apenas mais uma na sanha destruidora de quem se diz movimento social, mas é notoriamente de guerrilha política. Esta, todavia, não foi e está provocando revolta na população ordeira, trabalhadora.

Foram muitas as manifestações que recebi, vi e ouvi de gente ,digamos, comum (quem de fato merece respeito) que cumpre suas obrigações e paga seus impostos e não recebe dinheiro enviado pelo governo para invadir terras, indignadas com a destruição mostrada na televisão e nos jornais, com fotos, de milhares de pés de laranja. Assim como a destruição de tratores, de móveis, e de imóveis da fazendo invadida, antes da retirada determinada pela justiça.

Pela primeira vez vi estas pessoas manifestarem-se a respeito e de forma enfática. Foi uma agressão bárbara acompanhada de frases absolutamente desprovidas de sentido, como “destruímos s árvores porque não comemos só laranja. Vamos plantar feijão”. Absurdo inominável, como são inomináveis os atos desse movimento financiados com o nosso dinheiro, dos contribuintes e repassado pelo governo federal aos criminosos invasores e destruidores de propriedade alheia e frutas destinadas a alimentar a população. Sem mencionar as divisas que a laranja rende com a exportação do seu suco.

Nota-se algum movimento no Congresso Nacional para fazer ressuscitar uma Comissão Parlamentar de Inquérito que oi governo atual engavetou destinada justamente a apurar os recursos públicos dados aos integrantes desse criminoso movimento. Não tivesse havido a exibição pública do vandalismo praticado em nome de nada, nossos ilustres parlamentares de oposição seguiriam calados.

Vamos ver se conseguem levar adiante a instalação contra os interesses políticos do governo federal.

O Ministério Público precisa agir.

Desta vez o MST chocou a classe média urbana. O medo instalou-se na mente de cada brasileiro verdadeiramente pacífico. A violência gratuita, animalesca, ganhou cores, contornos, imagens.

Os políticos sabem sentir isso e sabem também que se não derem um basta, nas urnas eles receberão o basta da população. Muitos deles. Se o deputado e o senador em quem votei na eleição de 2006 forem omissos, declaro publicamente, perderão meu voto em 2010.
Este Brasil do MST é o mesmo que o presidente Lula disse ter alcançado “cidadania” perante o mundo (por conta das Olimpíadas de 2016)?

Em minha visão o termo “cidadania” foi usado indevidamente, por conta de restrito vocabulário , quando na verdade o presidente queria dizer “reconhecimento” , “respeito”, ou algo semelhante.

Mas vamos lá. O Brasil cidadão cantado pelo presidente, cujo governo financia com dinheiro público as invasões do MST e impede a instalação de CPI para investigar essa destinação e os crimes do movimento, é o Brasil cidadão que deve merecer o respeito do mundo? Não se dá ao respeito nem dentro de casa.

Também soube de gente que não gosta do presidente, mas chorou com ele no anúncio feito na Dinamarca sobre a candidatura vencedora (Rio 2016).

Parabéns a todos. Vivemos uma grande impostura onde o emocional se sobrepõe ao racional e tudo se transforma num espetáculo de mídia e exibição. Enquanto isto, no ranking da ONU, no índice de desenvolvimento humano, a posição da “10ª economia do mundo”, o Brasil, é no 75º lugar. Atrás até do Chile.

 Comemoremos a conquista de sermos sede de Copa do Mundo, de Olimpíada, como já fomos de Pan-americanos. Ótimo. Beleza. O futuro tão cantado em verso e prosa do Brasil está chegando. Com governo deste ou daquele, acabaria chegando pela potencialidade natural do país. Está atrasado por culpa de governos, incluindo o atual. Mas está chegando.
Se o tiro no pé do MST for uma realidade e gerar conseqüências de exemplo para mostrar um país justo, em busca de sua grandeza que vem vindo por si só, será um grande passo. A conivência com a infração, o desvio, os mensalões, os dinheiros na cueca, o afago na cabeça de quem se locupletou do erário de forma fraudulenta, a defesa de oligarquias prejudiciais, as marcas negativas do governo, nos deixam ser um país “cidadão”?

Que o tiro no pé produza efeitos. Por enquanto choramos de alegria efêmera. Deveríamos chorar de vergonha na cara.