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 Paulo Saab, graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio  e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente  como executivo e participa de entidades como voluntário na causa da educação e da cidadania.  Membro de conselhos, associações e organizações empresariais, educativas, nacionais e  internacionais. Palestrante, escritor.

 

FALTA RUMO AO PAÍS

 

O noticiário dos fatos nacionais acentuou nas últimas semanas informações de caráter político, econômico, educacional,policial e social, revelando mazelas, falhas, imperfeições, crimes, toda sorte de situações onde tem ficado evidente a ausência de um ordenamento de valores que deveria existir e nortear a sociedade brasileira.

A Constituição, em largo espectro, seria o documento capaz de propiciar esse regramento tão importante para a vida do país, na medida em que regula as relações  de nosso povo.

Pode-se dizer que pela manutenção da ordem jurídica, institucional, democrática, o papel macro vem sendo cumprido, a despeito de que a corrosão do tecido social e a absoluta ausência de valores morais arraigados, comuns aos brasileiros, revelem o vazio de princípios e metas a serem perseguidas como de interesse de todos nós.

Poder-se-ia dizer que tudo está interligado.

Não existem no Brasil, apesar da ordem constitucional, das instituições, estarem, felizmente, em pleno funcionamento, estabelecidos e codificados na linguagem do cotidiano de nossa população, valores a serem observados e, repita-se, metas a serem alcançadas, que unam todos os brasileiros em torno de ideais comuns que se transformem em motivação para luta de todos.

Ao contrário, existe no país uma sensação generalizada de que somente os maus políticos, os corruptos, os beneficiários do poder público ou de suas relações com este, é que se dão bem, sem que nada seja capaz de alcançá-los para mudar o rumo das coisas. Na verdade, constata-se nessa interligação dos fatos de que não há rumo algum no país. É quase um salve-se quem puder, como puder, dentro da ordem vigente.

Os exemplos que partem das autoridades públicas, políticas do país, que deveriam ser os sinalizadores do comportamento probo, da perseguição de objetivos de interesse da maioria da população, acabam se tornando verdadeiros êmulos da falta de compostura, de desinteresse pela causa pública e de estímulo a que cada um aja de acordo com seu interesse, sem observância das mínimas regras de ordem moral ou mesmo legal, desde que gere benefício pessoal. Não há nem haverá punição.

É isto que os amplificadores de mensagens dizem aos brasileiros diariamente. A difusão desses maus exemplos, como praga, está se enraizando na população, servindo de alento aos criminosos, fomentando a glamorização  da ignorância e da miséria e levando a sociedade brasileira a um caminho de choques e  conflitos em prazo de tempo incapaz de ser medido.Mas, a caminho. Ou, já nas ruas na forma de crime  comum ou organizado.

Se de alguma maneira era e ainda é preciso passar por essa depuração, após anos (ou séculos) de deturpação dos valores ou até ausência desses, na vida do país, o fato de estar vindo a publico a podridão dos bastidores do poder, não pode nem deve servir de consolo ou de impedimento da indignação popular para clamar e agir em favor da mudança, da implantação não falso moralista, mas realista diante das necessidades do país, de uma prática menos acintosa, menos vergonhosa, menos aproveitadora, dos detentores do poder contra os brasileiros em geral.

Enquanto a mais alta autoridade nacional passeia pelo mundo divertindo-se com a camisa da seleção de futebol, gabando-se do que não fez por si próprio, (citação meramente simbólica) o país espera lideranças capazes de aglutinar os interesses comuns da nação num grande programa de estabelecimento de valores, cumprimento das leis, punição aos culpados e responsabilidade no uso do dinheiro público, entre outras necessidades.

Sem rumo, vamos seguindo.

São raros ,na vida nacional, os nomes à altura do que o Brasil precisa.